MEDITAÇÕES SOBRE A VIDA OCULTA

POR

GEOFFREY HODSON

COM UM PREFÁCIO

POR

G. S. ARUNDALE, M.A., LL.B., D.Litt., F.R.Hist.S.

THE THEOSOPHICAL PUBLISHING HOUSE.

ADYAR, MADRAS, ÍNDIA

DEDICATÓRIA

A

TODOS OS ASPIRANTES         Agradecimentos sinceros são devidos e dados a J.H., A.D.M., F.W.W., S.C.,        V.G., e M.S.S.

PREFÁCIO

O SR. HODSON tem razão ao dizer que sua obra não é um livro-texto.

Duvido que, exceto em uma medida definitivamente limitada, pudesse haver um livro-texto sobre Ocultismo, pois, embora existam indubitavelmente certos princípios fundamentais que aqueles que correm podem ler, tais princípios são apenas as bases nuas para aquele estudo e experiência que são absolutamente individuais tanto para o mestre quanto para o discípulo.

Nenhum verdadeiro ocultista sonharia em escrever um livro descrevendo tal estudo e experiência, pois saberia muito bem o dano irreparável que resultaria inevitavelmente de tal ato.

O Sr. Hodson busca em suas "Meditações sobre a Vida Oculta" expor certos desses princípios fundamentais tal como os aprendeu com seus mestres.

Ele não poderia fazer mais do que isso em um livro disponível ao público, embora nestes dias de curiosidade desenfreada, e da crença de que basta viajar para o Oriente para penetrar profundamente nos fatos do Ocultismo, encontremos curiosos ignorantes publicando até mesmo em jornais métodos de supostas práticas de Yoga e fragmentos de sabedoria oculta.

O Yoga real, o Ocultismo real, é sempre apenas para os poucos, para aqueles que buscaram seus mestres                               X

tendo o que não foi alcançado a um grande preço, e especialmente isso é verdade no caso das glórias do Ocultismo.

Somente aqueles que sabem perseverar, que não podem ser vencidos pela derrota ou dificuldade, que não consideram nenhum obstáculo intransponível, nenhum sacrifício grande demais para oferecer, nenhuma adversidade difícil demais de suportar, são dignos de começar a entrar no pátio exterior do Ocultismo.

Pois quando se tornarem prontos para o pátio interior, devem ter se tornado atletas espirituais, conhecedores da Sabedoria onipenetrante e wielders altruístas do poder da Lei eterna.

George S. ARUNDALE

PREFÁCIO DO AUTOR

Esta obra não é publicada como um livro-texto1 que ofereça exposições completas de seu assunto.

Consiste em uma coleção de ideias que surgiram na mente do autor durante tentativas de verificar certos ensinamentos ocultos.

Como o título sugere, o método dessas tentativas foi o da meditação, na qual a atenção foi focada nos fundamentos da ciência oculta, num esforço para traduzi-los em experiência. O autor se dissocia de alegações ocultas, particularmente daquelas que possam ser inferidas de suas referências ao discipulado e à Iniciação.

Por meio da meditação e da aspiração, conhecimento pode ser obtido de estágios de evolução que se encontram no futuro.

De fato, o aspirante deliberadamente tenta vislumbrar o sendero diante de si, para obter o pré-conhecimento das alturas que mais tarde espera ascender.

Para tais exposições, veja: The Masters and the Path, de C. W. Leadbeater.

In the Outer Court, The Path of Discipleship, Initiation, de Annie Besant.

Talks on the Path of Occultism, de A. Besant e C. W. Leadbeater.

At the Feet of the Master, de J. Krishnamurti.

No caso do autor, tal realização interior que lhe vinha não raramente era acompanhada por um fluxo de ideias iluminadoras.

Ele oferece este livro para publicação na esperança de que possa servir como ponto de partida para viagens de descoberta semelhantes por outros.

CONTEÚDO

PÁGINA

PREFÁCIO                                                    Vll

PREFÁCIO DO AUTOR                                            xi

CAPÍTULO I               O Sendero da Vitória Acelerada—Vida Espiritualizada—A Descoberta da Verdade . CAPÍTULO II               Cérebro e Corpo—Sono—Alimento Puro—Vida Diária Ordenada—Pureza do Corpo Necessária ao Crescimento Espiritual—Meditação—As Glândulas Pineal e Pituitária           .              .       . CAPÍTULO III               As Quatro Tríades; suas Correspondências—As Sete Notas; suas Expressões—O Templo da Natureza          .              .       . CAPÍTULO IV               Vida e Forma—A Estrada Ascendente—Irmãos Mais Velhos e Mais Novos            .          .          .                         XIV

PÁGINA CAPÍTULO V                O Caminho da Liberdade—Mestria CAPÍTULO VI                A Vontade do Mestre—Seu Amor—Seu Conhecimento—Sua Obra CAPÍTULO VII                A Natureza do Adeptado CAPÍTULO VIII                A Grande Fraternidade Branca—Sua Obra Setenária—O Caminho para os Mestres—Sua Vida Diária e Atividade          .      .       . CAPÍTULO IX                A Vida do Pupilo—Sua Aceitação e seu Trabalho—Ocultismo para Homens Ocidentais, Negócios, Arte e Educação      .          .         . CAPÍTULO X                Discipulado—A Vida Mística e Oculta do Discípulo—A Visão do Todo          .           .         . CAPÍTULO XI                Perfeição Imperfeita—O Trabalho do Discípulo—O                        XV

PÁGINA                   Necessidade de Pureza—Amor Uni¬                   versal CAPÍTULO XII                 O Valor da                   Meditação—                   O Caminho do Rápido Desabro-                   chamento—Educação Oculta            . CAPÍTULO XIII                 O Discípulo                   Aceito—O                   Novo Nascimento—Iniciação—                  A Corrente da Vida—O                  Trabalho do Iniciado CAPÍTULO XIV                 Atividades Extraplanetárias do                  Adepto—A Vida Consagrada CAPÍTULO XV                 Macrocosmo no Microcosmo—                  A Visão do Todo       . CAPÍTULO XVI                               *                 O Fragmento   e   o                  Todo—A Fonte da Vida—A                  Natureza da Beleza CAPÍTULO XVII                 A Guerra no Céu—A                  Guerra no Homem—Vitória

CAPÍTULO XVIII                 Deus Geometriza—Símbolos                  Espirituais   nos   Reinos                      XVI

PÁGINA                Vegetal,   Animal   e                 Humano                 .                 . CAPÍTULO XIX               Do Homem ao Super-Homem—                O Símbolo do Cone—                A Mente Onipenetrante        . CAPÍTULO XX               A Ministração   dos                Anjos—A Ministração                dos Adeptos          .      . L’ENVOI               Paz—Beleza—O Deus                Trino .        . '       .      . ÍNDICE                      CAPÍTULO I

O Caminho da Vitória Acelerada.

A Vida Espiritualizada.

A Descoberta da Verdade.

UMA VEZ que o homem é um ser autoconsciente, ele possui o poder de submeter-se a um processo de forçamento espiritual, de auto-aceleramento.

Ele pode apressar a consecução de sua meta pela aplicação deliberada, em forma intensificada, dos princípios que governam o crescimento normal.

O processo consiste na acentuação repetida e, eventualmente, contínua, de tudo o que é espiritual em si mesmo, em termos de pensamento, sentimento, motivo e conduta, e na eliminação complementar, desses quatro aspectos de sua vida pessoal, de tudo o que se opõe ao ideal espiritual.

Isso implica o estabelecimento de um sistema de contínua auto-observação e autocorreção mental e emocional.

Tal auto-forçamento sistemático, a princípio, causa uma intensificação do conflito dentro do neófito.

Tudo o que é material em sua natureza resiste ao processo de espiritualização, tenta escapar de seu controle mental.

A chave para o sucesso reside, portanto, no controle de sua mente, e para essa realização o aspirante deve voltar todas as suas energias.

Ele fará bem em ignorar, tanto quanto possível, os impulsos e instigações de sua natureza emocional e as demandas de seu corpo, e concentrar-se na subjugação de sua mente.

O homem, como personalidade, é primordialmente um pensador; o poder de direcionar o pensamento de forma autoconsciente é a nota-chave de sua existência material e o diferencia do animal.

A mente, portanto, é sua arma mais eficaz, sua torre de vigia ou ponto de observação mais adequado, e sua influência diretiva mais poderosa.

A mente é a posição-chave que deve ser ocupada e mantida durante todo o conflito.

O domínio da mente exige o recolhimento da consciência da emoção e da ação para o intelecto, até que a capacidade de pura percepção mental seja desenvolvida.

O interesse pela vida deve tornar-se cada vez mais intelectual e espiritual — o estado espiritual contendo a emoção sublimada e controlada.

O trabalho, o estudo e a recreação devem ser intelectualizados e espiritualizados, até que o neófito aprenda a viver no pensamento, a governar e dirigir sua vida por meio do intelecto.

Sua vida pessoal, como resultado, tornar-se-á refinada e purificada.

Austeridade e ascetismo marcarão a conduta de sua vida; autocontrole e dignidade, sua fala e seu porte.

No entanto, ele permanecerá cordial, amigável e pronto a ajudar seus semelhantes, especialmente na direção do caminho da vitória apressada.

Esses métodos gerais de auto-espiritualização devem ser acompanhados pela prática sistemática de exercícios espirituais, destinados em parte a estabelecer o foco da consciência na mente superior; em parte a fortalecer e sustentar o controle mental da conduta; e em parte a desenvolver a capacidade de pensamento abstrato.

Posteriormente, a consciência intuicional deve ser desenvolvida em preparação para a obtenção da mais alta auto-realização, a da vontade espiritual.

Os exercícios necessários consistem no estudo interior das verdades eternas por meio da meditação e da contemplação.

Certas dessas verdades são propostas nos capítulos posteriores desta obra.

Essas e outras verdades surgem como base das religiões do mundo, e para seu estudo o neófito é dirigido.

A mente e a intuição devem ser aplicadas no estudo dos ensinamentos exotéricos inspirados, a fim de que seu significado esotérico possa ser percebido.

Deste exercício, ele colherá um corpo crescente de verdades espirituais que, metodicamente, deverá converter em realidades para si mesmo.

Ele deve desenvolver-se como um "conhecedor" da verdade.

Isso é alcançado pela experimentação, cuja técnica variará com cada indivíduo.

O método de destilação da sabedoria das escrituras das diferentes religiões é tomar cada afirmação de uma verdade e nela meditar mentalmente até que seja reduzida aos seus elementos essenciais.

Os elementos essenciais são então considerados em profunda meditação, até que seu pleno significado seja apreendido e sua aplicação à vida seja descoberta.

Isso exige esforço mental, uma imposição da mente para permanecer com concentração inabalável sobre o assunto escolhido, com a intenção de penetrar até seu núcleo.

O sucesso é possível porque a verdade está representada na consciência de todo homem, e o neófito é habilitado, em virtude da presença em si mesmo da verdade que busca, a percebê-la no objeto de sua meditação.

Pelo estudo das expressões externas da verdade, ele é conduzido à descoberta da verdade dentro de si mesmo.

CAPÍTULO II

Cérebro e Corpo.

Sono — Alimentação Pura.

Vida Diária Ordenada.

Pureza do Corpo Necessária ao Crescimento Espiritual.

Meditação.

As Glândulas Pineal e Pituitária.

UMA VEZ que o cérebro desempenha um papel de suma importância na percepção da verdade durante a consciência de vigília, o neófito deve compreender tanto o mecanismo quanto a evolução do cérebro.

As meditações mencionadas no capítulo anterior, se realizadas com perseverança, gradualmente transformam a condição do cérebro.

Tanto a atividade celular quanto a amplitude da resposta vibratória são aumentadas; há um aceleramento dos átomos constituintes¹, pois são compelidos pela força-pensamento concentrada a transmitir o poder, a vida e a inteligência dos níveis supermentais da consciência.

[ Segundo a ciência oculta, os átomos evoluem, sendo sua evolução acelerada como resultado de seu uso pelo homem.

Ver Química Oculta, de A. Besant e C. W. Leadbeater; Um Estudo da Consciência, de A. Besant.

Todo o cérebro é submetido a uma tensão pela meditação sobre verdades abstratas e espirituais, e o neófito deve exercer grande cuidado para que, em seu entusiasmo, não o lesione. Uma leve dor ou torpor é um aviso de que a tensão está se aproximando do ponto de perigo em que uma lesão permanente poderia ocorrer.

A tal sinal, a meditação deve cessar ou ser alterada para outra forma.

A forma que produziu a dor deve ser examinada e experimentada, praticando-se extremo cuidado; a ausência de dor é uma indicação de que um exercício é seguro.

O treinamento do cérebro do neófito espiritual deve tornar-se praticamente contínuo durante a consciência de vigília.

Se o relaxamento do controle for demasiado grande, se houver um mergulho profundo demais no pensamento grosseiro e material, o processo de aceleração cerebral não apenas é retardado e os esforços de meditação tornam-se quase abortivos, mas também uma influência é exercida na direção oposta.

A amplitude da capacidade de resposta vibratória é diminuída e a evolução atômica é desacelerada.

O cérebro deve ser considerado um instrumento delicado e extremamente valioso que, como resultado de seu contato com o trabalho do mundo, continuamente se embota e, consequentemente, requer reafiamento contínuo.

Isso é alcançado pela meditação, pelo controle do pensamento, pela evitação deliberada do tipo de pensamento que diminuiria a percepção espiritual, pela vida ordenada e tranquila, e pela alimentação correta.

Todas as carnes toldam a corrente sanguínea e embotam o cérebro.

Elas também aumentam a tendência a pensamentos e sentimentos grosseiros.

Frutas e vegetais frescos, particularmente alimentos crus, purificam as correntes sanguíneas e vitalizam o corpo e o cérebro.

Aspirantes ocidentais que empreendem a prática da meditação com regularidade e seriedade necessitam do complemento completo de sono.

Durante as horas de sono, o cérebro se recupera após o esforço das atividades diárias e é assim tornado capaz de responder mais plenamente aos resultados da meditação.

Portanto, durante o processo de aceleração, muito descanso é necessário, especialmente nos estágios iniciais, e é aconselhável recolher-se cedo para dormir.

Estimulantes, usados para permitir que um sistema nervoso cansado continue seu trabalho, são prejudiciais.

Sistema e ordem na vida diária tornam seu uso desnecessário.

As atividades diárias devem tornar-se propositais e ser ordenadas de modo que tenham uma relação direta com o objetivo da autodescoberta e da autoiluminação.

Ações que não conduzem a esse fim devem ser eliminadas.

O ambiente do principiante pode, a princípio, impedi-lo de cumprir essas condições, mas à medida que ele progride, seu ambiente ou mudará ou se adaptará às suas necessidades espirituais.

O processo pode parecer lento, mas ocorrerá e em proporção exata à taxa de mudança no estudante.

O ambiente de um indivíduo contém tudo o que sua educação evolutiva exige.

O homem que está despertando espiritualmente e entrando rapidamente em sintonia mais próxima com a vida descobrirá que seu ambiente muda rapidamente; as condições de vida refletirão com fidelidade crescente o estado e as mudanças em sua consciência.

A instrução relativa ao cérebro aplica-se também a todo o corpo.

Ele também deve ser mantido limpo por dentro e por fora, seu magnetismo guardado e purificado por banhos frequentes e regulares, mudanças frequentes de roupa e vida pura e natural, mesmo em meio a arredores impuros e não naturais.

As mãos e os pés são as partes do corpo mais suscetíveis a impurezas magnéticas externas.

Eles são, por assim dizer, orifícios magnéticos, modos de entrada e saída do sistema magnético do corpo.

Um fluxo de magnetismo e bênção pode ser dirigido pela vontade através das mãos quando o contato é feito com outro durante o aperto de mãos.

As saudações dadas por um ocultista devem ser sinceras e expressas com intenção positiva.

Sinceridade e positividade são duas das maiores salvaguardas na vida oculta.

O cérebro pode ser considerado o macrocosmo, o corpo o microcosmo, pois em cada célula do corpo a vida cerebral é representada, a consciência cerebral é manifestada e a energia cerebral é expressa.

Inversamente, todas as funções, ações e experiências do corpo são refletidas no cérebro por meio dos sentidos.

A impureza do corpo, seja de conduta ou de pessoa, exerce influência retardadora no processo de aceleração do cérebro, órgão específico da inteligência; o cérebro é a sede da consciência eugóica; é o logos físico do sistema solar corporal, e entre esses dois ocorre contínua interação.

Daí a necessidade de atenção escrupulosa à pureza e ao bem-estar do corpo. Práticas ocultas ou outras que forçam o corpo a condições funcionais anormais, que hipersensibilizam ou dessensibilizam órgãos ou membros específicos, produzem efeitos adversos tanto sobre o corpo quanto sobre o cérebro.

Harmonia, ritmo, facilidade, equilíbrio e graça constituem as qualidades nas quais o neófito deve treinar seu corpo.

Com o cérebro assim tornado sensível e o corpo assim treinado, o caminho está preparado para a descida e manifestação física da consciência eugóica.

A luz do entendimento superior começa a iluminar as trevas do intelecto pessoal; o corpo mental superará suas características de inflexibilidade, análise, crítica e auto-isolamento.

Estas serão substituídas por abertura de mente, julgamento construtivo e unificação.

Essa mudança no corpo mental também é de importância para o desenvolvimento do cérebro; pois as condições de ambos se refletem mutuamente.

O cérebro e o centro intelectual no corpo mental podem ser considerados os dois focos da elipse da consciência pessoal, negativo e positivo, respectivamente.

Mudanças em um aparecem instantaneamente no outro; a perfeição de qualquer um sendo impossível sem a perfeição de ambos.

Na insanidade, ou na morte, a vida mental é em grande parte subjetiva, carecendo do polo negativo.

O caminho para a mais alta iluminação intelectual passa do cérebro ao corpo mental, daí para a consciência eugóica e adiante e para dentro, através da intuição, para a vontade espiritual.

De lá, no Adepto, conduz para fora da esfera individual para a universal, na qual a mesma direção geral é seguida para a consciência cósmica.

A tarefa diante do neófito cujo corpo, cérebro e mente estão recebendo a melhor atenção que ele pode lhes dar é estabelecer para si mesmo uma medida de consciência eugóica desperta que aumente constantemente em alcance e permanência.

Ele deve elevar continuamente sua mente ao reino dos princípios, adquirir o hábito de elevar todas as atividades intelectuais ao nível da mente superior e resistir a toda tendência à escravização da mente pelos particulares.

A meditação sobre as verdades eternas não conduzirá por si só ao êxito; deve ser suplementada por um estabelecimento firme e cada vez mais bem-sucedido da mente na consciência superior durante os períodos entre as meditações.

A atitude do neófito em relação a uma ação que envolve suas emoções será decidida inteiramente pelo efeito delas sobre esse empreendimento.

As emoções que distraem a mente e excitam o corpo devem ser consistentemente evitadas.

Aquelas que proporcionam um modo mais pleno e livre de autoexpressão, tais como o amor puro, a simpatia, a devoção e a resposta à beleza, devem ser desenvolvidas até sua mais alta expressão, até que elas sozinhas constituam a vida emocional, sendo-lhes concedido seu lugar pela vontade que opera através da inteligência.

Nesta conquista também o cérebro, com suas partes e órgãos específicos, desempenha um papel da mais alta importância.

O cérebro é o lugar de permanência do Self individual do homem encarnado.

É o santuário interno do templo do corpo.

Todas as suas células são permeadas pelo aspecto inteligência do Self individual, cada molécula é carregada com Sua energia, cuja vibração-chave ou frequência é a do pensamento.

A essa animação pelo pensamento do cérebro, a presença dos outros dois aspectos do Self tríplice é subordinada.

Portanto, todo o cérebro humano é um veículo para a autoconsciência individual desperta, suas divisões correspondendo às facetas da joia da inteligência do homem, às diversas qualidades da mente, concretas e abstratas.

As glândulas pineal e pituitária dentro do cérebro são os pontos focais através dos quais a manifestação da consciência individual ocorre primariamente.

Delas, a consciência se estende por todo o cérebro como ondas de energia, variando em frequência conforme a natureza do pensamento.

No homem normal, a atividade pineal consiste em pensamento concreto com extensões ocasionais ao abstrato, enquanto a glândula pituitária transmite emoção com extensões ocasionais à intuição.

No homem desenvolvido, a intuição passa através da inteligência e é por ela interpretada, alcançando o cérebro por meio da glândula pineal.

À medida que a intuição se desenvolve, o pensamento concreto é gradualmente relegado ao subconsciente, ali se unindo à emoção e alcançando o cérebro através da glândula pituitária.

O desenvolvimento da consciência é acompanhado por um desenvolvimento orgânico paralelo do cérebro, incluindo um aumento na amplitude da responsividade vibratória de ambas as glândulas.

Suas polaridades positiva e negativa tornam-se acentuadas devido à sua atividade aumentada como receptoras e transmissoras, de modo que um intercâmbio direto — em termos elétricos, um campo magnético — é estabelecido entre elas.

O terceiro ventrículo do cérebro está incluído nesse campo, completando a constituição de um mecanismo tripartite para a manifestação do Self tríplice através do cérebro.

Uma abertura etérica embrionária na fontanela anterior, preenchida no homem normal com matéria etérica, é gradualmente desobstruída pelas radiações desta “máquina” craniana. Este canal, quando aberto, torna possível uma relação nova e direta entre o Eu superior e o cérebro, um atalho, por assim dizer, entre a consciência e o veículo.

A passagem normal se dá através dos veículos mental, emocional e etérico, das glândulas pituitária e pineal, cada uma das quais deve servir como estação de retransmissão, recebendo, transmitindo e modificando em graus variados as mensagens no processo.

O ego do homem desenvolvido se manifesta diretamente no e através do cérebro, via fontanela e terceiro ventrículo.

CAPÍTULO III

As Quatro Tríades; suas Correspondências.

As Sete Notas; suas Expressões.

O Templo da Natureza.

Pelas porções finais do capítulo anterior, ver-se-á que o símbolo do triângulo é formado por centros no cérebro, com o ápice na fontanela anterior e os ângulos da base nas glândulas pineal e pituitária.

Este triângulo é uma reprodução, na matéria física da cabeça, de três tríades superfísicas, todas as quais são reflexos da natureza tríplice do Supremo.

Estas três tríades são: uma, os princípios mental, emocional e vital; duas, a inteligência, a intuição e a vontade; três, os aspectos Criador, Preservador e Transformador do Supremo, refletidos na Mônada humana.

Estas três, com os centros da cabeça, perfazem quatro triângulos ao todo.

Cada ângulo dos quatro triângulos simboliza e é uma manifestação do mesmo aspecto do Supremo; enquanto entre todos eles, por correspondência ou por harmonias, há uma relação íntima.

Assim, o mais alto se manifesta no mais baixo, assim o imortal no mortal, a vida através da forma, a consciência através do veículo.

O cérebro é o portal através do qual a consciência deve passar de sua expressão mais baixa à sua mais alta.

Cada uma das três tríades superfísicas é também um portal.

Todos devem, portanto, ser estudados; cada princípio do homem deve ser compreendido, e sua inter-relação tornar-se conhecida.

Estes princípios diferem no homem moral e no homem desenvolvido.

No homem normal, apenas o mínimo de poder necessário à preservação da saúde e eficiência do corpo físico passa entre as quatro manifestações triádicas do Uno.

A medida de poder aumenta com o progresso evolutivo do indivíduo, como também da raça, de modo que a própria normalidade difere em cada era sucessiva.

No homem desenvolvido, a medida de poder está muito além do normal, e a inter-relação entre seus princípios é mais íntima e, consequentemente, mais manifesta.

No homem normal, a tríade mais alta, a mônadica, dificilmente se manifesta; a seguinte, a egóica, manifesta-se ligeiramente; o homem vive no inferior e pouco sabe da existência do Eu superior.

O homem desenvolvido começa a incluir a inteligência abstrata e a intuição em sua consciência desperta e gradualmente desenvolve a vontade espiritual.

O novo campo de evolução que agora se abre à sua consciência estende-se e inclui essas três funções e, eventualmente, seus poderes mônadicos — os poderes que são os Aspectos diretamente refletidos do Supremo — começam a se manifestar, à medida que seu cérebro desenvolvido começa a responder à sua força.

A expansão da consciência e o desenvolvimento do cérebro são alcançados pela prática da meditação já referida e pela arte da contemplação, ou seja, permanecer abstratamente sobre e nas mais elevadas verdades da Natureza.

A contemplação consiste, primeiramente, em fixar a mente sobre um aspecto da verdade eterna, um atributo da divindade.

Treinada por exercícios de meditação, a mente do homem desenvolvido tornou-se estável, capaz de ser fixada sobre uma única ideia, com exclusão de tudo o mais.

Quando a ideia escolhida é uma das verdades eternas que são poderes inesgotáveis, a consciência é automaticamente elevada e expandida pelo contato com ela. O esforço mental então cessa; a mente torna-se imóvel.

O neófito entra, em consciência, em um mundo de uma única ideia, um universo de um único motivo; ele toca e ouve apenas uma nota no acorde da existência.

Ele então ouve essa nota e, ao ouvi-la, torna-se a nota, seu tom e sua ressonância.

O universo é sétuplo, as notas de seu acorde são em número de sete, cada nota representando tanto um modo de manifestação do Supremo quanto uma verdade eterna.

À medida que o estudante contempla cada uma das sete, ele se identifica com uma sétima parte do todo e nela funde sua consciência.

Ele toca, por sua vez, as sete notas, ouve em meditação cada uma, e em cada uma se absorve.

Finalmente, através de cada uma, ele se torna o todo, o homem sétuplo conscientemente uno com o universo sétuplo.

Este é o objetivo da contemplação.

As sete notas são descritas de várias maneiras.

A primeira e a sétima são o Alfa e o Ômega da vida manifestada; são a primeira e a última, o centro e a circunferência, contendo o todo.

A primeira é a fonte primordial, o ponto, o poder positivo do universo.

Dentro dela está a luz do sol cósmico focada através da lente da mente extra-universal.

No universo, é poder; no Logos, é onipotência; no homem, é vontade.

Pela contemplação, esses três são conhecidos como um.

Na contemplação, até mesmo o ponto pode ser conhecido; a partir dele e através dele, a mente extra-universal e a fonte cósmica; pois Aquilo que está dentro e Aquilo que está além são um.

A realização dessa unidade é o objetivo.

A sétima nota é a primeira em sua expressão última.

Poder em ação; vontade em movimento; onipotência manifestada.

O centro relativamente estático tornou-se a esfera ativa, e, no entanto, os dois são um.

Dentro do universo, o sétimo é a matéria física, o sol, os globos e todas as coisas que evoluem sobre eles.

No Logos, é o universo.

No homem, é o corpo físico.

Na manifestação, o Uno Espiritual tornou-se multiplicidade material.

Porque o conhecimento do múltiplo conduz ao conhecimento do Uno, o homem é colocado entre as múltiplas expressões do Uno, para que através delas ele possa encontrar e conhecer somente o Uno.

Do Uno ele parte, inconsciente de tudo exceto o Uno, para o múltiplo.

Do múltiplo ele retorna conscientemente ao Uno.

A segunda e a sexta notas, representando respectivamente a Vida e sua expressão, também são pareadas.

A Vida é onipenetrante, onipresente, o princípio unificador do universo, o Sol Espiritual; sua expressão é localizada como o princípio vital na matéria, o princípio vitalizante na Natureza e o sol físico.

No universo, a segunda nota é Vida; no Logos, é onipresença; no homem, é amor; no homem desenvolvido ou espiritual, é sabedoria.

A sexta nota é, no universo, forma, configuração, matéria organizada.

No Logos, é o Seu “corpo” do universo com seu coração de fogo — o sol — cujo princípio vivificante aparece como fogo rosado e, na Terra, como um átomo brilhando com luz rosada.

No homem, é a concentração; no homem desenvolvido, é devoção inspirada.

A terceira e a quinta notas também representam atributos complementares.

A terceira é a interação entre espírito e matéria, vida e forma; os princípios que regem a manifestação do espírito e da vida através da matéria e das formas; os arquétipos de todas as formas resultantes; a Verdade e as chaves do conhecimento; tudo isso é denotado pela terceira.

No universo, a terceira nota é a energia dirigida pela mente universal, sendo a energia sua expressão externa e a mente universal sua expressão interna.

No Logos, é o princípio feminino passivo, o útero no qual todas as formas são concebidas e do qual todas emergem.

No homem, é consciência e idealismo, moralidade e verdade; no homem desenvolvido, aparece como compreensão e inteligência abstrata.

A quinta nota é a expressão temporal daquilo que é eterno, a forma progressivamente desenvolvida de um único arquétipo.

No universo, é o processo evolutivo, crescimento.

No Logos, é o Tempo.

No homem, é o cérebro e a inteligência analítica; no homem desenvolvido, torna-se como uma lente de cristal através da qual os princípios da terceira nota são projetados como raios e por ela focalizados no cérebro como iluminação, gênio e inspiração.

A quarta nota é a unidade central, o pivô, o fulcro, o ponto estável de repouso, o ponto mais baixo na oscilação do pêndulo da vida entre os três pares primordiais de opostos.

É o estado de relação perfeita, de equilíbrio, da mais alta arte de autoexpressão, de harmonia entre vida e forma, veículo e consciência.

É o ponto de repouso em que o pêndulo da vida manifestada faz uma pausa aparente em sua oscilação eterna entre espírito e matéria.

Nessa "pausa momentânea" de estabilidade suprema, perfeito equilíbrio, a beleza do Supremo é revelada.

No universo, é a beleza da Natureza.

No Logos, é a Beleza em Si.

No homem, torna-se amor ao belo.

No homem desenvolvido, é a faculdade de perceber e retratar a beleza do Supremo.

O caráter essencial da quarta é escuridão, quietude, equilíbrio, como da noite criativa antes da aurora criativa.

A germinação física, mental ou espiritual exige o cobrimento do manto da escuridão.

Assim também, na produção de uma obra de arte, o artista retira sua consciência da luz do dia para a escuridão da noite criativa dentro de si mesmo, para a quietude equilibrada em que sua criação é concebida.

O artista criador em qualquer ramo deve ter alcançado o equilíbrio.

Esta é a lei da criação, seja de universo, sistema solar, planeta, homem ou obra de arte humana.

Nessa quietude é alcançada a verdadeira visão ou introspecção, sem a qual toda arte é sem vida.

Somente quando o artista a encontra e nela entra é que o fogo do gênio desce sobre ele em todo o seu poder pentecostal.

Sábio de fato é aquele que, pela contemplação, conhece e compreende este universo séptuplo — as sete grandes notas, separadamente e como um acorde.

Ele as conhece como as sete chaves da vida que abrem todas as portas para a Verdade — a Verdade que está consagrada dentro do templo da Natureza.

O homem está a meio caminho entre a criação bruta e a vontade criativa; é um embaixador do Criador para os reinos sub-humanos da Natureza.

A tarefa do homem é elevar as formas inferiores ao seu próprio nível.

Aquilo que está oculto no templo da Natureza é revelado no homem; Seus sete atributos devem, nele, atingir seu mais alto desenvolvimento.

Ele deve manifestar Sua majestade e poder, Sua unidade, Sua mente oculta, Sua beleza e estabilidade, Seu saber secreto, Seu impulso irresistível rumo à autoperfeição, e Sua resposta através da forma ao poder do Self interior.

Suas qualidades devem tornar-se suas em perfeição sempre crescente, pois esse é o caminho evolutivo pelo qual Ela o conduz.

CAPÍTULO IV

Vida e Forma.

O Caminho Ascendente.

Irmãos Mais Velhos e Mais Novos.

UMA VEZ que na Natureza a forma é subordinada à vida, assim deve tornar-se no homem.

Ele deve viver a partir de seu interior, buscando a plenitude da vida em vez da perpetuação da forma.

A forma é serva da vida, porém, no mundo em que o aspirante vive, a vida é subordinada à forma.

A vida, no entanto, é toda-conquistadora e a forma, por mais forte que seja, deve, em última instância, ser destruída.

A destruição traz tristeza àqueles que depositaram sua confiança apenas na forma.

Mas para aquele que aprendeu a confiar na vida, a tristeza é estranha, pois ele encontrou o segredo da felicidade.

Uno com a vida e confiando nela, ele compartilha sua liberdade, conhece sua bem-aventurança. A dor pertence à forma; o sofrimento é inevitável para aqueles que estão sob seu domínio — pois a forma, sendo transitória, deve inevitavelmente passar, sendo mortal, deve um dia perecer.

A vida é eterna, imortal; aqueles que depositam sua confiança nela conquistarão a morte e alcançarão a bem-aventurança eterna.

Contudo, vida e forma não são, em verdade, oponentes; são aspectos gêmeos do Uno do qual ambas procedem.

Pela experiência e compreensão de ambas, o homem encontra seu caminho para o Uno.

Essa realização é a meta da vida humana.

Vida e forma são os dois pilares do portal que conduz à morada do Uno Supremo.

Entre eles, e os ligando, está o Caminho, que pode ser concebido concretamente como uma estrada pela qual todos os pés devem passar.

Até os mais elevados Deuses trilharam esta estrada — Aquelas Sete Altas Inteligências nas quais as sete notas ou modos são perfeitamente manifestados.

Até o Uno Supremo conheceu suas alegrias e dificuldades há muito, muito tempo, em universos agora reduzidos a pó.

Bestas brutas, selvagens, homens civilizados e cultos, gênios, profetas, santos e homens santos apinham a estrada que conduz à vida eterna, aproximando-se sempre mais do portal de libertação dos pares de opostos, que é a meta.

Além do portal habitam os "homens justos aperfeiçoados", os Adeptos, os Reis Espirituais, na morada do Supremo.

Esses Poderosos também podem ser encontrados na estrada, tendo voluntariamente retornado ao aprisionamento da vida na forma para ajudar, curar, guiar e inspirar a humanidade em luta, Seus irmãos mais jovens.

Embora Se movam entre a multidão que lentamente ascende, raramente são vistos pelos homens; pois os olhos dos homens, acostumados às diferenças e divisões dos modos de manifestação do Uno, são cegos à luz Daqueles que permanecem na unidade.

No entanto, os Grandes Seres são percebidos por aqueles que começaram a reconhecer a unidade em meio à diversidade, a vida dentro da forma, e a viver de acordo com sua visão.

Os Aperfeiçoados observam constantemente aqueles em quem essa visão desponta, aqueles que se esforçam para trilhar o Caminho e que estão, portanto, prontos para receber Sua ajuda.

Na era atual, homens espiritualmente inclinados abundam e, tornando-se servos de sua raça, aproximam-se dos Irmãos Mais Velhos.

Nesta era, o véu entre o mundo exterior da forma e o mundo interior da vida está se tornando tênue.

Homens e mulheres iluminados começam a perfurar esse véu e a adentrar o mundo da vida.

Os Aperfeiçoados notam essas incursões, abençoam e inspiram seus irmãos mais jovens à medida que se aproximam do reino interior no qual Eles habitam.

O privilégio da comunhão com os Homens Perfeitos sempre foi alcançável por aqueles capazes de perceber a unidade de tudo o que vive, o fato da Fraternidade Universal, e, percebendo-o, viver suas vidas de acordo com essa verdade.

A todos os que buscam Sua companhia, anseiam servir a humanidade sob Eles, os Irmãos Mais Velhos, em efeito, dizem: “Erguei-vos! Despertai! e tornai-vos os deuses que sois! Vivei como deuses, puros, altruístas e fortes.

“O Deus, que no mundo real vós sois, brilha ali com pureza imaculada, irradia um amor altruísta e começa a manifestar aquela força que é a promessa da onipotência.

“Em meio à impureza do mundo, sede puros; em meio ao egoísmo da humanidade, servi; e em meio à fraqueza do homem, sede fortes.

“Assim vivendo, encontrareis o portal para a Vida Eterna.

Assim servindo, encontrar-nos-eis, nós que vivemos para servir.

Assim fortes, recebereis a Nossa força, nós que nos tornamos Pilares no templo do Deus onipotente.

“Dormindo e despertando, o Nosso poder fluirá através de vós para o serviço do mundo.

Em Nosso Nome e pelo Nosso Poder, tornar-vos-eis curadores do mundo, consoladores de suas dores e inspiradores daqueles que são capazes de responder ao ideal da vida perfeita e à presença dos Homens Perfeitos.

“O vosso mundo é o vosso campo de colheita, a vossa espécie, os seus feixes.

A vós cabe reuni-los, para que o Divino Lavrador que semeou possa ceifar em Si mesmo não homens, mas deuses.

“Vivei para que todos os que veem a vossa vida aspirem a imitar o vosso viver.

Servi para que aqueles que veem o vosso serviço, por sua vez, possam servir.

Sede fortes para que todos os que veem a vossa força possam transformar a derrota em vitória.

“Tais são as Nossas regras de vida.

A obediência a elas vos aproximará de Nós. Um Ancião aguarda cada um de vós, para que Ele possa fazer de vós um Salvador do Mundo.”

CAPÍTULO V

O Caminho da Liberdade.

Mestria.

O mundo é uma prisão, o coração do homem uma cela de prisão dentro da qual sua alma está confinada.

Através da janela gradeada dos sentidos, a alma olha para o pátio da prisão buscando escapar.

Para muitos, a hora da liberdade ainda não chegou, pois caso as grades sejam quebradas, as portas destrancadas, ainda há guardiões sombrios que obstruem o caminho.

Desejo, paixão, sensualidade, astúcia, ganância, autossuficiência, egotismo, ódio e orgulho — esses são os poderes aprisionadores.

Eles são, de fato, guardiões sombrios, cuja existência depende do aprisionamento da alma.

Portanto, resistem vigorosamente à destruição.

Lutar contra eles apenas aumenta sua força, pois a atenção dada a eles pela alma aprisionada é a fonte de sua vitalidade.

O caminho de escape não é pelo conflito com esses guardiões.

A Senda para a liberdade não conduz para fora através das portas da prisão, formadas e adentradas pela rendição às faltas e vícios do eu inferior.

A senda conduz para longe do conflito exterior em direção à paz interior.

O prisioneiro deve escapar de dentro.

Ele deve cessar de olhar para fora através das janelas gradeadas dos sentidos para o pátio da prisão, onde apenas os obstáculos à sua liberdade existem, cessar de combater seus vícios por ataque direto.

Em vez disso, deve retirar todo o pensamento deles e concentrar-se nas virtudes e poderes opostos.

Assim, encontrará o caminho dentro de si mesmo, passará para um reino superior de consciência, e nele se tornará miraculosamente livre.

Este caminho é encontrado e trilhado pela prática do autocontrole, pela pureza de vida, pela aspiração, idealismo e autossacrifício.

Na presença da pureza, o desejo morre.

O amor puro destrói a paixão, conquista todo o mal e liberta aqueles em quem veio a nascer.

Tal é o caminho de escape da prisão do mundo material, da tortura da tentação, da escravidão da sensualidade, e do aprisionamento do ódio e da ganância.

Este caminho está aberto a todos.

Toda alma liberta o trilhou. É chamado o Caminho da Lâmina Afiada, o Caminho da Santidade, o Caminho Reto e Estreito, e poucos há que o encontram." Quase dois mil anos se passaram desde que essas palavras foram proferidas.

Durante esse período, a humanidade progrediu. Muitos agora percebem o caminho de escape, mas, voluntariamente, ou por força do hábito, muitos continuam no aprisionamento, submetendo-se voluntariamente ao domínio do desejo.

São os cegos que não querem ver, errando muito mais do que as almas mais jovens, ainda não despertas para o chamado da liberdade.

Embora o descontentamento divino seja agora sentido por muitas almas, seu significado e importância ainda não são compreendidos.

Os homens confundem esse anseio inexprimível do homem interior com um apetite sensual, um anseio físico, e buscam curar sua dor corrosiva mergulhando mais profundamente no excesso.

Não o reconhecem como o sinal de que estão superando os prazeres que até então os encantaram, os brinquedos da infância de suas almas.

A adolescência espiritual foi alcançada, exigindo mudanças radicais e positivas.

A autoindulgência deve dar lugar ao ascetismo sábio, a sensualidade à austeridade.

Os motivos egoístas devem ser substituídos pelo altruísmo, a busca de si pela filantropia.

Assim, a adolescência espiritual é adentrada.

Assim, o caminho que conduz à maturidade espiritual é encontrado e trilhado.

Por este caminho passaram Aqueles Homens Perfeitos que são os Governantes espirituais do mundo, os verdadeiros Mestres da raça humana.

Perfeitos são Eles em vontade, em amor, em conhecimento, manifestando perfeitamente esses três atributos do Supremo.

CAPÍTULO VI

A Vontade do Mestre: Seu Amor: Seu Conhecimento: Sua Obra.

O poder irresistível da vontade de um Mestre surge das profundezas mais íntimas do Seu ser, o próprio centro da Sua existência.

Nisso, Ele é uno com a Vontade Suprema, o Poder que tudo permeia do universo.

Essa potência imanente e fundamental é a energia em repouso; é a alma da força; não a força em si, mas aquilo pelo qual toda força existe, um princípio básico dentro do qual todo poder emanado e manifestado está contido.

Sua qualidade é quietude, escuridão, silêncio.

É o fundamento sobre o qual os mundos materiais são construídos, o agente estabilizador supremo e final no universo, a fonte inesgotável de poder.

Unificado a ela, o Adepto torna-se vontade encarnada.

Essa mesma fonte existe em cada homem.

Pela meditação ela pode ser encontrada.

Aquele que deseja encontrar e trilhar o caminho para a liberdade deve meditar sobre essa fonte de poder e força dentro de si mesmo.

Contemplando-a, ele descobrirá poder e força, não como posses pessoais, mas como produtos da Fonte universal de poder.

Então nascerá nele a Vontade única, a energia-mestra, o poder-chave tanto do universo quanto do homem.

O resplendor do amor de um Mestre está fundado no fato da unidade da vida.

É independente do tempo, não afetado pelo espaço, ilimitado pela forma.

É uma expressão de um princípio eterno, um atributo fundamental da natureza da existência.

É a unidade perfeitamente expressa.

Tal amor é sem esforço, invariável, exceto que sempre se aprofunda e sempre cresce.

Não é dado pessoalmente nem recebido pessoalmente; Ele É. Flui continuamente da natureza mais íntima do Mestre como uma bênção divina sobre tudo o que vive.

Esse amor não busca retorno; tal coisa é alheia à sua natureza. A luz do sol não retorna ao sol; o rio não flui de volta à sua fonte; nem as águas da nascente reentram na fonte.

O coração do Mestre é como um sol, uma fonte, uma nascente de amor eterno.

Ele mesmo é como um rio de amor fluindo da fonte interior para o oceano da vida manifesta.

Sua afeição evoca em seu devoto o mesmo amor eterno.

Ele liga o amante humano à fonte da vida e do amor; doravante é liberado através dele um fluxo sempre exterior.

O Mestre é uno com a Vida; não um doador de Vida, pois tal indicaria dualidade.

Ele É a Vida; cada um de seus atos é a expressão natural e perfeita dessa identidade.

Quase se poderia dizer que o Mestre não tem existência própria, que como ego ele deixou de ser, exceto como núcleo da célula universal, próton do átomo cósmico.

Ele é idêntico à Vida, essencial à Vida, um princípio em manifestação, e não um indivíduo.

Portanto, ele manifesta os atributos da Vida com perfeita espontaneidade.

O amor é sua natureza, seu instinto, sua própria essência.

Ele É e manifesta todo amor.

A afirmação de que "Deus é Amor" é literalmente verdadeira, pois o amor é a unidade em manifestação.

A unidade é um princípio eterno, uma verdade raiz e fundamental.

O princípio da unidade manifestado através da inteligência universal torna-se amor universal.

A unidade manifestando-se através da mente do homem é a base do verdadeiro amor humano.

Unidade é uma verdade espiritual e não material, pois em termos de matéria a unidade tornou-se diversidade, seu oposto por reflexo.

O amor espiritual repousa sobre a unidade espiritual, não sobre a união material.

A história da evolução do homem pode ser escrita em termos de amor.

O homem passa do estado animal e selvagem de união material e desejo, ao estado relativamente civilizado, no qual a mente entra na experiência do amor.

Nesse estágio, a necessidade de união física ainda existe.

Além dele está o momento em que a iluminação espiritual desponta pela primeira vez na consciência pessoal e um amor mais elevado e profundo é percebido, mas não plenamente expresso.

A necessidade de união física diminui, mas a companhia permanece uma necessidade.

Além disso, novamente, está o estado de amor espiritual puro, baseado no reconhecimento da unidade, um amor pela própria Vida.

Esse estágio final de amor perfeito é alcançado após a completa unificação com a vida.

O indivíduo torna-se uma encarnação do princípio da unidade, ama todas as coisas a partir de seu interior e experimenta continuamente a união espiritual com elas.

Isso produz êxtase espiritual que, embora individual, é totalmente impessoal e puro; não exige contato nem companhia, mas solidão para sua plena experiência.

De tal natureza é o amor do Mestre: uma condição, não uma ação; um estado de consciência, não um ato; a experiência contínua de êxtase ininterrupto, que aumenta em intensidade à medida que os séculos passam e o estado de unidade absoluta, além do tempo e do espaço, é aproximado.

Nesse estado habita o Logos do Sistema, pois tal é o amor de Deus, o Segundo Aspecto do Supremo, o Amor Absoluto.

O conhecimento oniabrangente do Mestre não é, em nenhum sentido, possuído individualmente.

A individualidade tornou-se para Ele uma mera película, tão tênue a ponto de admitir livre comunhão com a Única Individualidade do universo, tão elástica a ponto de incluir o todo.

Nem o conhecimento nem o veículo mental do pensamento Lhe pertencem, pois para Ele há apenas Um Conhecimento, Uma Mente Maior.

Nestes Ele participa; de cada um conhece a Si mesmo como parte.

Todo o conhecimento está à Sua disposição por causa de Sua auto-unificação mental com todos.

As realizações espirituais e aquisições ocultas de todos os seres em ou abaixo de Seu nível de realização são completamente Suas em virtude dessa unicidade.

O conhecimento mais profundo e maior Daqueles que estão além d'Ele na evolução também está à Sua disposição na medida em que Ele pode elevar-Se ao estado de consciência deles e reproduzir dentro de Si a sintonia mais sutil e refinada deles com a Mente Universal.

Pode-se dizer que essa Grande Inteligência contém ou consiste em camadas de conhecimento, sendo as camadas mais profundas adentradas pelas mentes individuais à medida que a evolução prossegue.

Quanto mais elevado o estágio de evolução do indivíduo, mais profunda a compreensão.

O conhecimento do Adepto inclui aqueles princípios sobre os quais o universo, com todos os seus multifários fenômenos, está fundado; aquelas verdades básicas que fornecem as chaves para todo conhecimento.

O uso da chave certa revela de imediato o conhecimento requerido e torna disponível uma compreensão quase instantânea de qualquer aspecto da vida universal, seja ínfimo, como o do átomo, da célula e dos infusórios, ou de longo alcance e amplo, como o dos planetas e do sol.

Assim, o Adepto detém a chave para o conhecimento completo de todos os ramos da ciência e, nesse sentido, é onisciente.

Não que Ele possua todo o conhecimento, todos os fatos dentro de Sua consciência, mas que estes Lhe estão instantaneamente disponíveis, quer estejam temporariamente contidos na mente de um homem como uma nova descoberta da ciência, um novo princípio na arte de governar ou na arte, quer na Mente ainda maior na qual todo o conhecimento, passado, presente e futuro, está contido.

As chaves do conhecimento podem ser pensadas como equações matemáticas fundamentais, expressões da lei natural, enunciados abstratos dos princípios geométricos sobre os quais o universo está estabelecido, tais como a relação do diâmetro com a circunferência do círculo.

Contudo, não são meramente equações ou fórmulas matemáticas, algébricas.

São equações de vida que são verdadeiras para cada estágio de crescimento, aplicando-se igualmente à semente e à planta inteira e ao fruto, à célula germinativa e ao organismo completo.

São expressões da verdade eterna e, portanto, estão além de toda mudança, embora a incluam; revelam não apenas o início, a maturidade e o fim, mas também a totalidade.

Somado à posse das chaves e ao poder de usá-las, está a conquista da onipresença pelo Adepto.

Isso implica Sua capacidade de focalizar Sua atenção em diferentes partes do sistema solar à vontade.

Ele é assim capaz de fazer observações diretas sobre qualquer assunto sobre o qual se busque conhecimento detalhado.

Além disso, por Sua conquista da unicidade, Ele é literalmente uno com a Fonte da existência e a vida em todas as coisas; Ele é, portanto, capaz de suplementar o conhecimento obtido pela observação externa com a compreensão revelada de dentro.

O conhecimento do Mestre, portanto, é completo; inclui a compreensão de todos os fenômenos externos e a percepção dos processos ocultos da vida, as fontes do crescimento.

Ele é o Mestre Cientista, o exemplar de todo buscador da verdade.

O que Ele fez, o cientista do futuro fará, pois embora o progresso dos principais cientistas de hoje seja grande, na verdade eles apenas arranham a superfície da física e da astronomia, da química e da biologia, da fisiologia e da psicologia, da verdade como é conhecida pelo Adepto.

Com todos os seres vivos da Terra o Adepto compartilha Sua conquista, colocando Seu poder, Seu amor e Seu conhecimento à disposição de todos.

Seu trabalho é, em parte, traduzir o universal no particular, trazer o Poder, a Sabedoria e o Conhecimento do Supremo para uma relação cada vez mais íntima com os reinos da Natureza abaixo d'Ele em evolução.

Em termos de energia, cada Adepto é um transformador de poder livre e seu distribuidor para o mundo em estado condicionado.

Este trabalho é realizado em níveis de consciência além da mente.

Cada um dos três tipos de energia divina, manifestando-se como poder, sabedoria e conhecimento, tem seu nível apropriado de consciência no qual é contatado em seu estado puro e, dali, transmitido aos mundos inferiores.

CAPÍTULO VII

A Natureza do Adeptado.

O Adepto vive autoconscientemente em um estado de atemporalidade.

Ele é incondicionado e, portanto, livre.

Se Ele escolher, pode mergulhar no relativo esquecimento da eternidade, deixando para trás o tempo e as coisas temporais.

Ao abandonar o universo no qual Sua liberdade foi conquistada, Ele pode reentrar autoconscientemente no incondicionado de onde inconscientemente veio.

Embora o homem aperfeiçoado seja livre para escolher tal curso, tão grande é Sua compaixão pelo mundo, tão íntima Sua unidade com tudo o que vive, que, estando no limiar da eternidade com bem-aventurança além da concepção ao Seu alcance, Ele se abstém de entrar.

Renunciando aos frutos da vitória, Aquele que aprendeu a viver na eternidade submete-Se voluntariamente ao aprisionamento do tempo.

Ele sabe que por essa renúncia, por compartilhar o aprisionamento da humanidade, Ele, conhecendo o caminho de escape, é capaz de aproximar todos os seres de sua meta.

Em Seu nascimento espiritual, Ele renunciou a todos os poderes e posses; agora, na véspera de Seu nascimento na eternidade, Ele renuncia à Sua entrada imediata na vida eterna.

O Adepto que assim renuncia voluntariamente, compartilha e alivia as dores do mundo.

Ele permanece para derramar luz nas trevas dos mundos do tempo: para despertar as almas adormecidas dos homens: para acolher os neófitos espirituais despertos e guiá-los no caminho para a paz eterna.

Agora que Ele está além da dor, pode aliviá-la; além da doença, pode curá-la; além da ignorância, pode dissipá-la; além do carma pessoal,¹ Ele pode compartilhar do carma dos outros, aliviando assim seu fardo.

Além da necessidade de ação, Ele se engaja em atividade impessoalmente como agente autoconsciente da Vontade do Supremo.

Ele permanece condicionado por Sua própria escolha, renunciando à liberdade do estado incondicionado.

Ele é uma célula germinativa de vida eterna no corpo da humanidade aprisionada no tempo.

Ele assim toma Seu lugar entre Seus Irmãos emancipados na Ordem dos Guardiões do Globo.

Se o Adepto está encarnado ou desencarnado depende da natureza de Seu trabalho.

Se for necessário contato frequente com a terra e seus habitantes, Ele manterá um corpo perfeito, oculto em retiro.

Se Sua obra for extraplanetária ou concernida especialmente com as Tríades espirituais", os Princípios imortais que subjazem a todos

Os resultados da operação da lei de causa e efeito.

- Ver *The Monad* de C. W. Leadbeater; *A Study in Consciousness*, de A. Besant.

seres vivos, então Ele não usará um corpo físico, mas um veículo superfísico especialmente criado.

A morte dominada, a necessidade de renascimento superada, o equilíbrio perfeito alcançado, sem karma, Ele é livre para viver e trabalhar com ou sem encarnação física.

Caso use um corpo físico, sua forma expressa Sua estatura espiritual com perfeição.

Em força, beleza e eficiência, é perfeito; nem a encarnação nele reduz de qualquer forma Sua atividade superfísica.

O corpo foi voluntariamente assumido; voluntariamente pode ser deixado de lado.

O espaço não mais O limita, nem o tempo O aprisiona.

Em Seus veículos mais sutis, Ele é livre para se mover à vontade por todos os campos solares.

Habitando naquela duração pela qual o tempo está ligado à eternidade, e tendo transcendido a operação da lei de causa e efeito, Sua vida diária é livre de tensão ou preocupação.

Seu veículo físico, portanto, é pouco marcado pelos séculos que passam.

Ele precisa comer e dormir muito menos do que o homem comum.

Seu conhecimento das leis e princípios que governam a manifestação da vida na forma: Sua compreensão completa da expressão tríplice da vida através da forma — absorção, assimilação e descarga, nascimento, maturidade e decadência — permite-Lhe sustentar por longos períodos uma perfeita maturidade corporal.

Embora possa cumprir tarefas diárias designadas, pessoais e pertencentes à Fraternidade dos Adeptos da qual Ele é Membro, Sua consciência não é limitada por isso.

Ele está ciente simultaneamente em todo o Universo quíntuplo, do plano físico ao Nirvânico¹.

Assim, Ele permanece continuamente no poder Nirvânico, que é onipotência, na bem-aventurança Búdica², que é onipresença, e na união mental com a Mente Una, que é onisciência.

Esses atributos do Supremo Ele manifesta mais perfeitamente através da conduta física, do sentimento e do pensamento, respectivamente; pois nEle as tríades superior e inferior são uma, como representado simbolicamente pelos triângulos entrelaçados.

Tal é, em parte, o Adepto vivo; de tais consiste o Governo Interno do Mundo, que portanto é Todo-Poderoso, Todo-Sábio e Todo-Conhecedor.

O espiritual.

- Ver *Nirvana*, de G. S. Arundale.

O plano da Consciência Crística, a fonte da sabedoria e da intuição.

CAPÍTULO VIII

A Grande Fraternidade Branca.

Seu Trabalho Setenário.

O Caminho para os Mestres.

Sua Vida e Atividade Diárias.

Os poderes triúnos inerentes a toda a criação alcançam um alto grau de expressão autoconsciente no e através do Adepto.

Ainda mais perfeita e mais poderosa é sua expressão no e através da Unicidade da Grande Fraternidade Branca, da qual o Adepto é parte.

Em essência, este grupo é uma unidade, a célula germinal espiritual de todo o corpo da humanidade.

Nesta gloriosa companhia dos Adeptos, os atributos tríplices manifestam-se através de sete permutações.

Esta Hierarquia Oculta, como o universo e o homem, é um septenário.

Cada um dos sete aspectos opera diretamente sobre seu nível apropriado de consciência, do mais elevado plano espiritual ao físico.

Cada um também se expressa através de um tipo de atividade correspondente a uma das sete correntes de força — os sete Raios — que emanam da Fonte Central de Poder, Vida e Luz.

Contudo, toda a Fraternidade é una, uma expressão de Uma Vontade, Uma Sabedoria e Uma Inteligência.

Quando a Mônada¹ humana desce em direção à humanidade física, a consciência de grupo subumana precede a autoconsciência humana.

A inteligência encarnada nos reinos mineral, vegetal e animal não é individual, mas coletiva.

No mundo mineral ocorrem agrupamentos, cada um dos quais é uma consciência quase individual na qual muitos tipos de metais e joias são mesclados de acordo com seu raio.

O agrupamento não tem referência à localização geográfica, pois a encarnação física de uma consciência de grupo pode ocorrer em partes amplamente separadas do globo.

No reino vegetal, as divisões tornam-se mais claramente marcadas, e ainda mais no animal, pois ali se aproxima o estágio da verdadeira individualidade.

Através da associação com a humanidade, o animal doméstico supera o sistema de grupo e alcança a individualidade humana ou egoidade.² Cada ego humano é uma manifestação de uma “porção” individualizada da Una Consciência Espiritual Maior do universo; é um microcosmo autoexistente.

No reino humano, essa autoexistência é lentamente levada à perfeição até que o homem se torne o Adepto.

Ele então renuncia à sua separatividade, retornando voluntariamente à consciência de grupo.

No entanto, essa renúncia não acarreta perda de individualidade, pois, paradoxalmente, a fusão com o todo intensifica a autoexistência da parte.

O Adepto é tanto o Uno solitário quanto o Único Uno.

Ele é uno com toda a vida, uno com toda a forma, com o rio e o oceano, com as margens do rio e o leito do oceano; uno com a fonte, uno com a meta; contudo, Ele próprio permanece.

Ele é a apoteose tanto da consciência de grupo quanto da consciência individual.

Da mesma forma, embora cada Adepto em um único planeta seja individual, a Fraternidade dos Adeptos constitui uma consciência.

A unidade adéptica planetária é uma manifestação da unidade maior que é a Fraternidade dos Adeptos do sistema solar, refletida na Fraternidade terrestre microcosmicamente.

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¹ A unidade espiritual. A centelha divina. A “mônada” metafísica — Vide *A Study in Consciousness*, de A. Besant.

² A egoidade.

A Grande Fraternidade Branca na Terra também é iluminada por um Sol, o maior de todos os seus Adeptos, sua Fonte de Poder, de Vida e de Luz, no que diz respeito à sua existência e atividade como grupo ou unidade.

Dentro do corpo da Fraternidade há Adeptos de diversos graus, assim como no sistema solar há planetas em vários estágios de evolução e distância do sol.

Cada um dos sete estados de consciência é refletido na Fraternidade, não apenas em e através de cada Adepto individual que entra e domina cada estado, mas#em toda a grande Companhia através de suas sete divisões e departamentos de atividade.

Cada departamento é presidido por um Adepto que é o Senhor do tipo de consciência e Diretor de sua manifestação.

A Fraternidade inclui assim Senhores da Vontade ou do Poder, agentes diretos da Vontade Espiritual do universo, que se manifesta predominantemente através do Governante Supremo da vida planetária, o REI espiritual.

Os Senhores do Poder despertam a Vontade espiritual dentro de cada forma e, mesclando e modificando tipos nos quatro reinos, auxiliam a Natureza a produzir a forma perfeita.

Os Senhores da Intuição despertam a sabedoria ou consciência intuitiva em todas as coisas vivas e aperfeiçoam sua expressão no homem através do avivamento espiritual e pela inculcação de ideais éticos e espirituais.

Essa função atinge seu apogeu no Grande Instrutor Mundial, que em épocas sucessivas aparece entre os homens como um Salvador do Mundo e Fundador de religiões mundiais.

Os Senhores do Intelecto despertam a mente abstrata sintética no homem, preparando-a como um cálice 1 para receber o Vinho da Vida Una do Supremo.

À medida que esse precioso gole é recebido, o poder da percepção intuitiva é despertado e desenvolvido.

As linhas que fluem para cima, que formam o cálice, simbolizam a aspiração da alma e a unificação de todos os aspectos da consciência pessoal, enquanto a própria taça representa o produto de sua fusão.

Meditação, adoração, aspiração, essas são as forças pelas quais o cálice é elevado, simbolizando a natureza humana oferecida ao Divino.

A resposta é infalível, e gradualmente, mesmo no tempo presente, o cálice do intelecto humano está sendo preenchido com o Vinho da Vida Una e, consequentemente, o novo poder de percepção interior conhecido como intuição está se desenvolvendo.

Externamente, os Senhores do Intelecto auxiliam no desenvolvimento da mente sintética, inspiram o homem ao desenvolvimento cultural, à fraternidade e à paz.

Misticamente, o corpo causal, veículo da inteligência abstrata, é o Santo Graal.

Todos os Adeptos e especialmente Esses Senhores são os Cavaleiros do Graal.

Montsalvat é a consciência superior na qual Eles habitam.

Os Senhores da Beleza ajudam a construir, entre o intelecto concreto e o abstrato, a ponte que liga o homem material e mortal, individual e racialmente, ao Eu Espiritual imortal.

O homem da Quinta Raça¹ deve cruzar essa ponte à vontade, em plena consciência, e aprender a funcionar na mente abstrata e sintética.

Dessa forma, os Senhores da Beleza auxiliam a manifestação do espiritual através do material, fundindo os dois.

Eles nutrem na alma do homem toda aspiração à beleza, inspiram o artista e o artesão, para que a vida humana e a civilização se tornem cada vez mais belas.

Os Senhores da Mente Concreta despertam e expandem a mente do homem, inspirando o pesquisador à descoberta de novos fatos e princípios na ciência, e o inventor em sua aplicação para o avanço da civilização.

O cientista, inspirado pelos Senhores do Conhecimento, é o moldador do pensamento da humanidade nesta era; em cooperação com o artista, será o construtor de civilizações na era que está por vir.

Os Senhores do Idealismo acendem e alimentam os fogos do entusiasmo no coração do reformador.

Eles mantêm viva a chama mística, o anseio do devoto pela união.

Através da visão e da iluminação, conduzem o santo à vidência, e o vidente à união com Deus.

Os Senhores da Ação preservam através dos tempos o poder, a sabedoria, a beleza, o conhecimento e o idealismo dos Antigos Mistérios; preparam-se para um dia restaurar seus rituais ao mundo como encenações dramáticas, expressões simbólicas e alegóricas da verdade eterna.

Eles ligam a mais alta vontade espiritual ao seu veículo mais denso, o corpo físico, e inspiram sua expressão em atividade ordenada, precisão e graça.

Conduzem a humanidade ao desenvolvimento de uma ordem política e social perfeita.

Cada um dos Senhores da manifestação séptupla do Supremo funciona assim através de uma atividade interna e externa.

Cada um aviva a vida e também molda a forma: desperta a consciência e auxilia em sua manifestação.

A Grande Fraternidade Branca realiza, portanto, uma tarefa dupla; Ela é una com a consciência em toda forma, ajudando seu desdobramento por inspiração interna; também molda e embeleza a própria forma através de ministração externa.

Desde a infância da humanidade, nos distantes dias lemurianos, a Grande Fraternidade Branca tem assim ministrado ao Divino na Natureza e no homem.

Assim continuará a servir através de milhares de séculos até que, no fim do dia deste mundo, sua tarefa esteja concluída.

À humanidade não é negado o privilégio da participação consciente em certas das múltiplas atividades da Fraternidade dos Adeptos.

Todos os verdadeiros servidores da raça são co-servidores com Eles, embora possam estar inconscientes de tal colaboração.

¹ O ariano, com todos os seus ramos.

O caminho está aberto hoje como sempre para a comunhão com Eles — um caminho que cada homem pode encontrar e trilhar, se assim o desejar.

Este caminho pode ser melhor encontrado compartilhando de Sua obra; servindo como Eles servem, renunciando ao eu e ao egoísmo como Eles renunciaram, e vivendo para o cumprimento da Vontade Única, como perpetuamente Eles vivem.

Assim, o homem pode aproximar-se dos Mestres; assim, um indivíduo pode alcançar os pés de seu Mestre. Na Presença de Seu Mestre, o neófito encontra a ideação de toda a humanidade, o Homem Perfeito.

No Adepto, ele percebe em sua perfeição os atributos dos *sete Senhores, enquanto através de todos eles brilharão as qualidades especiais de seu próprio raio ou temperamento, cuja posse mútua aproxima Mestre e neófito.

Assim, se o Mestre for um Senhor do Amor, o Amor divino estará encarnado Nele; a Compaixão divina habitará Nele e se revelará em cada olhar, palavra e ação.

No entanto, sendo um Homem Perfeito, Ele é também um Senhor da Vontade, capaz de manifestar a onipotência divina.

Ele é também o mestre filósofo, cientista, artista e idealista.

Contudo, por ser Senhor do Amor, esses outros poderes serão irradiados por essa qualidade especial.

Da mesma forma, um Senhor da Vontade é a força personificada, coragem, realeza, majestade.

Ao mesmo tempo, os outros atributos — Amor, Compreensão, Beleza, Conhecimento, Idealismo e Atividade Ordenada — atingiram em Sua pessoa sua mais alta expressão.

A consciência do Adepto habita nos reinos nirvânicos, onde tempo e espaço não existem.

Desse reino elevado, como do cume de uma torre de farol, o Adepto derrama Sua luz continuamente sobre o mundo, para guiar Seus irmãos mais jovens sobre o mar tempestuoso da vida.

Essa luz brilha de modo constante, sua radiância aumentando à medida que os séculos passam.

O Adepto está, portanto, ativamente engajado em todos os sete planos de consciência, brilhando e servindo em cada um, liberando Seu poder onde ele é mais necessário.

Ele é visitado fisicamente em Seu retiro apenas pelos poucos escolhidos.

Eles O veem como um homem culto e espiritual, com grande beleza de rosto e de forma, um semblante cristico, um porte régio e a maior dignidade.

Os Adeptos ou habitam em fortalezas montanhosas ou ocultam Seus lares dos olhos humanos por meio do poder oculto.

Alguns deles vivem nas cordilheiras do Himalaia e do trans-Himalaia.

Outros são abrigados pelo Monte Líbano, pelos picos da Transilvânia e pelas Colinas Nilgiri.

Embora os membros da Grande Fraternidade Branca estejam assim separados fisicamente, em consciência Eles são Um, agindo como uma unidade em todos os momentos com perfeita coordenação e precisão.

O neófito que se aproxima do lar de um Adepto pode encontrá-Lo em atividade física, Sua correspondência, a gestão de Seus assuntos físicos, lendo em Sua biblioteca, dirigindo-se a grupos de discípulos, comendo, dormindo, ou talvez tocando algum instrumento musical.

Ou pode encontrá-Lo fora, a cavalo porventura, visitando outros Adeptos.

Pode encontrá-Lo aparentemente em sono profundo, sentado em Seu aposento ou em algum canto isolado de Seu jardim, Sua consciência retirada e livre em outras partes da terra, talvez assistindo a conferências da Irmandade ou cumprindo os deveres superfísicos de Seu cargo dentro da Hierarquia Oculta.

As atividades do Adepto são realizadas com perfeita graça e facilidade, com um mínimo de esforço e um máximo de eficiência.

Tudo o que Ele faz é perfeitamente realizado.

A atenção à vida física de modo algum diminui ou perturba Sua consciência superfísica e espiritual, pois Seu corpo físico exige o mínimo de atenção e direção, sendo treinado para uma obediência automática e perfeita.

Tais são, em parte, os Adeptos vivos; tal é, em parte, a natureza de Suas atividades individuais e coordenadas.

O poder de alcançar esse estado de perfeição espiritual, que é onipotência, onipresença e onisciência, reside dentro de todo homem; germinalmente, essas faculdades existem em todos.

Elas são as realidades inerentes do Self imortal.

Durante a infância espiritual do homem, nas comunidades selvagens e semicivilizadas, ele normalmente não tem consciência da existência, dentro de si, de qualidades inatas.

Na infância espiritual do homem civilizado, os três poderes começam a se manifestar em sua vida diária.

Um senso moral se desenvolve, o dever é reconhecido, ao menos como um ideal, se ainda não como prática, e a voz da consciência começa a se fazer ouvida.

Durante o período da adolescência espiritual, a luz da beleza, da unidade e da fraternidade desponta na consciência humana.

O homem percebe e admira nos outros as qualidades de idealismo e altruísmo, e gradualmente as adota como princípios orientadores de sua vida.

Nesse estágio, a atenção do Instrutor se volta para o indivíduo em despertar espiritual.

Esse Grande Ser fecunda seus¹ atributos espirituais latentes e o inspira a praticá-los na vida.

O neófito, geralmente inconsciente dessa assistência, experimenta uma ampliação de suas simpatias, um aprofundamento de sua cultura.

O amor universal desperta nele, e ele se sente inspirado a expressá-lo no serviço aos seus semelhantes.

Gradualmente, sutilmente, quase inconscientemente, os motivos pessoais e egoístas [¹ O masculino é usado apenas por conveniência.]

lugar ao ideal do bem-estar do mundo, até que, por fim, o serviço se torne a nota-chave de sua vida.

Então ele encontrou o "Caminho" e está pronto para se tornar um pupilo do Mestre e, mais tarde, um membro das fileiras externas da Grande Fraternidade Branca.

A Vida do Pupilo.

Sua Aceitação e seu Trabalho.

Ocultismo para Homens Ocidentais; Negócios, Arte e Educação.

A entrada na presença do Instrutor geralmente ocorre durante o sono do corpo físico.

A alma, assim livre, é atraída por afinidade espiritual à presença do Instrutor.

Ele então se encontra face a face com aquele Irmão Mais Velho que o observou e esperou por ele até este momento, que "amou a alma peregrina nele". Respondendo ao chamado do Mestre para servir lado a lado com Ele, ajoelhando-se humildemente diante d'Ele, o pupilo recebe a bênção d'Aquele que não é apenas perfeito Instrutor, mas também perfeito Sacerdote.

Ele é então advertido das provações vindouras, aconselhado na moldagem de seu caráter e instruído nas possibilidades espirituais decorrentes desta primeira experiência.

Ao despertar do sono, embora possa não se lembrar do ocorrido, ele se conscientiza de uma nova alegria e de um novo poder na vida.

Companheiros pupilos mais experientes o reconhecerão e, se necessário, um

A '3>jC — Ai sênior o informará.

fisicamente do evento interior e de seu significado.

Doravante, embora ainda viva no mundo exterior, ele não é mais inteiramente dele; os mundos interiores e a vida interior reivindicam crescentemente seu interesse e atenção.

A influência de seu Mestre agora atua continuamente ao seu redor, vivificando espiritualmente muitos no mundo exterior com quem ele entra em contato.

Ao atuar através dele, desperta suas próprias potencialidades espirituais e cria canais mais amplos para o fluxo do poder espiritual.

Muitas provações assaltam o neófito, pois ele deve ser testado no fogo da vida.

Seus atributos mais elevados e mais baixos manifestam-se com força crescente; os mais elevados, para que ele possa servir com mais eficiência; os mais baixos, para que, enfrentando-os e conquistando-os, ele possa ser purificado.

Uma vez que o fluxo do poder do Mestre estimula tanto as boas quanto as más qualidades, é necessário que as falhas sejam reduzidas ao mínimo antes que o Mestre ouse submeter um pupilo a tal tensão.

A menos que a alma seja forte e pura, o homem pode fracassar e seu progresso ser adiado por muitas vidas.

O êxito em conquistar a natureza inferior chega mais cedo ou mais tarde, conforme a força da alma e o progresso feito em vidas passadas.

Então ele é chamado novamente à presença de seu Mestre, que o observou e guiou durante o período de sua provação.

Se o eu inferior perdeu todo o poder de enredar e prender o superior, se o eu deu lugar ao serviço, o egoísmo ao amor, se a sensualidade foi substituída pela pureza, o desejo pela vontade, então seu Mestre atrai a alma assim purificada para o Seu próprio coração puro e perfeito, absorvendo-a temporariamente em união com o Seu Eu mais íntimo.

Nessa unidade mais profunda e mais elevada, aqueles que eram dois tornam-se um.

O discípulo emerge de tal experiência temporariamente transfigurado.

O Adepto que ele em breve poderá se tornar resplandece nele profeticamente.

A perfeição espiritual de seu Mestre brilha ao seu redor, enquanto as qualidades e características espirituais do discípulo são atraídas e exibidas pelo Mestre.

União bendita, intimidade mais estreita, amor mais profundo, bem-aventurança maravilhosa — isso o "aceito" conhece nessa experiência em que, para ele, não há tempo, nem espaço, nem separatividade, e ele é um com a própria Vida e a conhece como eterna, onipenetrante e indivisível.

Doravante, o discípulo aceito se esforça para manter continuamente, em sua consciência desperta, a experiência de unidade com seu Mestre.

Ele aprende a viver cada vez mais no centro de sua existência do que em sua periferia.

Ele descobre que a realização espiritual não pode ser sustentada se a atenção está continuamente focada nas coisas mundanas.

Os acontecimentos exteriores da vida, as atividades inquietas e sempre mutáveis dos homens, representam o exato oposto da calma interior e do equilíbrio do eterno ao qual ele agora aspira alcançar.

Portanto, o discípulo deve continuamente retirar-se do temporal, deve formar o hábito de resistir às suas atrações e reduzir seu contato com ele ao mínimo necessário para seu serviço ao mundo.

A menos que faça isso, ele é constantemente distraído; sua mente adquire o hábito da atividade inquieta, e ele é incapaz de manter firmemente sua atenção sobre as realidades da vida interior.

Embora deva abstrair-se do transitório e afirmar sua identidade com o eterno, isso não deve interferir ou reduzir sua eficiência no mundo exterior.

Ele deve agora aprender a viver de dentro para fora, a aperfeiçoar a técnica da arte de estar no mundo, mas não ser do mundo. O ocultismo ocidental moderno difere, nesse aspecto, da ioga antiga e oriental.

A possibilidade de retiro físico é quase excluída no Ocidente, e a vida oculta deve ser vivida em meio às distrações e tentações do mundo exterior.

Isso só pode ser feito com sucesso pela aquisição do hábito de desapego do ambiente físico, formando uma atitude mental inerente de crescente autoidentificação com as realidades do mundo interior.

O neófito, não podendo retirar-se para uma caverna ou cela, deve considerar o mundo como seu ashrama¹ e aprender a levar a vida do eremita mental e espiritualmente, enquanto habita e trabalha entre os homens.

O mundo necessita grandemente, no momento atual, da presença e da influência de homens e mulheres de mentalidade espiritual.

A tendência ao egoísmo

¹ Ashrama: no Oriente, a cela, caverna ou morada de um santo, eremita ou Adepto.

e ao materialismo ainda é forte, e, embora talvez o nível mais baixo já tenha sido alcançado, são pouquíssimos entre a humanidade os que conscientemente trilham o caminho ascendente.

Esses poucos são necessários como influência fermentadora e, portanto, devem viver entre os homens.

O pupilo deve, assim, considerar-se um centro de força espiritual, uma célula germinativa no corpo da humanidade.

Ele deve manifestar a atitude espiritual em toda a sua vida; o motivo espiritual e, portanto, altruísta em suas ações, e deve inculcar comportamento semelhante, sempre que possível, entre seus associados.

Deve ser um agente ativo e positivo, alerta para perceber e aproveitar as oportunidades à medida que surgem.

Além disso, deve buscar aqueles que, pelo contato pessoal, possam ser conduzidos à vida espiritual.

Contudo, deve trabalhar de forma impessoal e esforçar-se por deixar o selo da espiritualidade em tudo o que faz.

A vida oculta não é um sonho, nem é uma questão de rotina de meditação.

Consiste na contínua aplicação de poder e influência na direção da fraternidade, filantropia, altruísmo, autodomínio e pureza.

É, de fato, uma vida de trabalho árduo e incessante.

Até a recreação deve ser posta a bom uso, pois o pupilo faz uso positivo e contínuo de seus poderes espirituais.

Quando, por exemplo, assiste a um concerto, a um teatro ou a uma reunião social, o poder espiritual que dele emana pode irradiar multidões, vivificando e despertando seus eus superiores.

A vida das pessoas pode ser transformada pelo contato pessoal com um pupilo; enquanto ele próprio se tornará um centro cada vez mais potente do poder espiritual à medida que vive sua vida de pupilado.

Os pensamentos do pupilo ocidental devem ser rigorosamente guardados, diária e hora a hora, pois afetam a consciência de seu Mestre.

Isso é especialmente importante para aqueles que se dedicam aos negócios, pois sua ocupação exige concentração em assuntos materiais.

Aqueles que não estão assim ocupados têm uma tarefa ainda mais difícil, pois, sendo-lhes exigida menor concentração na rotina diária, suas mentes são mais suscetíveis às correntes de pensamento ao redor e tendem a refletir em sua consciência a atmosfera mental trivial e frequentemente desagradável de seu ambiente.

Daí a necessidade da prática constante do controle do pensamento.

O pupilo deve ter apenas um interesse desapegado nos assuntos menores do mundo.

O conhecimento dos eventos diários é útil para capacitá-lo a ajudar onde for necessário, mas ele não deve permitir que seu interesse seja absorvido.

A maior parte de sua consciência deve estar fixada em seu Mestre, em seu trabalho para o mundo, em seus ideais espirituais e em sua tarefa de desenvolvimento do caráter.

Ele deve tornar-se capaz de concentração inabalável em qualquer um desses, guardando continuamente sua consciência contra a intrusão de pensamentos mundanos e impuros.

Sua mente deve tornar-se um santuário dentro do templo de sua personalidade, e ele deve mantê-la como tal.

A atividade comercial, corretamente utilizada, é excelente treinamento para o ocultista.

O pupilo que está envolvido no mundo dos negócios deve almejar a mais alta eficiência e precisão em todo o seu trabalho.

A vida espiritual exige, para seu sucesso, tanto a precisão mental quanto a perícia física.

O armazém e o escritório são campos de treinamento ideais onde essas qualidades podem ser desenvolvidas.

As artes oferecem oportunidades igualmente valiosas.

O pupilo artista deve buscar estabelecer regularidade e ordem em sua vida e em seu trabalho.

O chamado "temperamento" do artista, embora frequentemente tolerado por aqueles que não aceitaram definitivamente o ideal do Caminho, deve ser severamente refreado pelo pupilo.

Ele deve elevar-se acima dos estados de humor e buscar tornar-se uma perfeita encarnação do Grande Artista do universo, que está continuamente em obra.

O controle mental e moral pode ser mais difícil para o artista, mas não há desculpa para frouxidão nessas direções para o pupilo do Mestre.

Não apenas sua própria vida deve ser imaculadamente pura, sua mente ordenada e prática, mas ele deve destacar-se entre seus companheiros artistas como um exemplo de vida pura e de devoção total aos mais elevados ideais de sua arte.

A espiritualidade na arte é uma das grandes necessidades do tempo.

A ciência espiritualizada já está surgindo e deve ser complementada pela arte espiritualizada.

A vida real na Natureza, as verdades espirituais, as verdades abstratas, as experiências na consciência, a visão interior e um apelo contínuo a tudo o que há de mais elevado na humanidade devem encontrar expressão na arte de hoje e de amanhã.

O pupilo artista do Mestre está magnificamente equipado para essa expressão, pois tem uma fonte ilimitada de inspiração sempre disponível.

O contato com a consciência de seu Mestre, fortalecido continuamente pela meditação e pelo trabalho realizado em Seu nome, desperta o fogo do gênio no pupilo e abre os canais para sua expressão através do cérebro e do corpo.

Um pupilo que é educador tem oportunidades magníficas, pois através de sua relação com seu Mestre, todos os seus tutelados são colocados em contato direto com Ele.

Contínua auto-recolhimento, embora cercado pelos detalhes do trabalho, é o fator mais importante para habilitar o professor a ligar sua escola e seus alunos à Grande Fraternidade Branca.

Este grande Corpo tem seu departamento educacional, cujos Membros procuram inspirar todas as instituições educacionais externas com idealismo espiritual.

Neste trabalho, o professor-pupilo pode desempenhar um papel importante e eficaz.

Ao formar o hábito de se retirar mentalmente da rotina da vida escolar, e ao abrir sua consciência à de seu Mestre e à da Hierarquia, ele é inspirado a exercer uma influência em direções particulares.

Através dos canais abertos de sua consciência, a vida do Mestre e da Fraternidade flui para os alunos e para a escola.

Em sua vida diária, tal pupilo deve destacar-se claramente como um modelo do educador de mentalidade espiritual, como um idealista prático entre seus colegas professores, e como um padrão de vida limpa, saudável e viril para os alunos.

Ele também deve procurar entre seus alunos aqueles que têm vínculos com a Fraternidade, formar amizade com eles, para que, mais tarde na vida, eles também possam ser inspirados e ajudados a trilhar a Senda.

Muitos tais egos estão tomando encarnação no presente momento, e será dever do professor-pupilo guiá-los na busca pelo Mestre, à qual, mais tarde na vida, suas experiências passadas os impelirão.

Todos os pupilos do Mestre, onde quer que estejam empregados, devem igualmente vigiar aqueles que demonstram promessa de se juntar às suas fileiras.

Eles devem considerar-se ceifeiros da Fraternidade.

CAPÍTULO X

Discipulado.

A Vida Mística e Oculta do Discípulo.

A Visão do Todo.

O DISCIPULADO diz respeito principalmente à evolução do ego.

Ele marca o início de um novo ciclo que atinge seu nadir na primeira grande Iniciação, quando ocorre um novo nascimento espiritual.

O intervalo entre a entrada na Senda Probatória e a primeira Iniciação corresponde ao período gestatório que precede o nascimento físico.

Na probação, o Mestre vivifica a “célula” búdica germinal no corpo causal¹, ligando-a ao veículo búdico², que por sua vez é despertado suficientemente para responder à influência do Buddhi universal.

Essa influência flui para dentro ou, antes, brota dentro do veículo búdico, acelerando sua evolução.

Ela também vivifica a “célula” búdica ou estrela no

¹ O brilhante Augoeides, o corpo imortal do ego do homem no nível da mente abstrata; o terceiro aspecto do logos microcósmico.

² O corpo da Consciência Crística no homem, a fonte da intuição.

O segundo aspecto.

corpo causal, abrindo assim o ego à consciência búdica.

O ego, por sua vez, tenta expressar os resultados desses processos na personalidade, através da qual obtém maior enriquecimento das experiências educativas da vida pessoal, agora vivida com intensidade e vividez crescentes.

O desenvolvimento e a expressão em ação da consciência búdica deveriam, portanto, ser a nota-chave da vida do discípulo.

Ele deve procurar alcançar uma realização cada vez mais vívida da Vida divina dentro de todas as formas, da unidade ou unicidade dessa Vida, e de sua própria identidade com ela.

Essa realização se expressa através da mente como intuição, através das emoções como uma expansão da capacidade de amor e amizade, e fisicamente como impessoalidade.

Uma vez que a Vida é una, as limitações pessoais e as expressões pessoais dessa Vida são de pequena importância.

Como quase todas as dificuldades da vida humana surgem da atitude pessoal, a impessoalidade é vista com clareza crescente como o grande meio de superá-las.

O ego do discípulo torna-se, assim, um centro de crescimento, uma síntese do superior desdobramento búdico e do inferior desenvolvimento pessoal resultante da experiência.

O corpo causal é como um útero no qual o ser búdico embrionário, ou Iniciado, se desenvolve.

O novo nascimento depende em grande medida da existência de harmonia entre o superior e o inferior, entre o ideal e a conduta, a visão e a ação.

O discípulo deve esforçar-se por viver seus ideais, pois, se falhar, ou o nascimento da “criança” búdica será adiado, ou seu desenvolvimento ex utero será prejudicado por imperfeições.

Ele deve esforçar-se por unificar os aspectos de sua consciência e lutar pela totalidade, do nível búdico ao físico.

Ação, sentimento, pensamento, realização e inspiração devem ser harmoniosamente mesclados, formando uma unidade quíntupla, um todo sintético capaz de ação coordenada.

A obtenção da consciência eóica no cérebro é importante, e o discípulo deve trabalhar para adquirir a faculdade de pensar e agir cada vez mais como um ego e cada vez menos como uma personalidade.

Somente depois de se estabelecer firmemente na consciência eóica poderá esperar alcançar a autorrealização búdica.

Além do Budhi está o Atma¹, no qual, por sua vez, se deve entrar, e o veículo átmico deve ser desenvolvido.

Este é o trabalho do Iniciado no novo ciclo que se abre após a Primeira Iniciação.² O veículo búdico torna-se agora o útero no qual o embrião átmico deve se desenvolver e do qual, mais tarde, será “nascido”. Além do Atma está o Anupadaka³ e, ainda mais elevado, o Adi; estes se tornam sucessivamente matriz, embrião e ser recém-nascido.

A cada nascimento, o lugar de permanência da consciência é elevado um grau. ¹O primeiro aspecto, a vontade espiritual, o ápice do triângulo espiritual que é uma reprodução, no homem, dos Três Aspectos da Trindade do Logos.

Vide The Masters and the Path, de C. W. Leadbeater.

Os dois planos mais elevados da Natureza.

etapa e o Adepto aprende a funcionar conscientemente nesses e a partir desses níveis, à medida que Iniciações adicionais são recebidas.

Tal é a montanha espiritual, até cujas encostas inferiores o pupilo abriu caminho.

Se for bem-sucedido — e isso depende inteiramente de si mesmo —, gradualmente escalará até o cume.

Seus Anciões o inspirarão, guiarão e fortalecerão, mas o esforço real da escalada deve ser somente seu.

O Mestre é como um companheiro de jornada que, tendo ido antes, oferece os resultados de Sua experiência àqueles que seguem.

Essa oferta dos produtos da experiência não é inteiramente um processo externo.

O Mestre alcançou plena unidade consciente com a Vida dentro de toda forma; portanto, Ele Se conhece como uno com a Vida no pupilo.

Através da unidade e da autoidentificação de Sua consciência maior com a do pupilo, Ele é capaz de ajudá-lo de dentro.

Ele permite que o pupilo compartilhe e use Sua consciência e Suas realizações na medida de sua capacidade.

A relação entre Mestre e pupilo é, portanto, dupla; consiste em uma união e comunhão interior, e uma inspiração, orientação e mesmo modelagem externas da personalidade.

Destas, a primeira é contínua desde o momento da provação, e o pupilo deve, por meio da meditação, trazer a realização dela à sua consciência desperta; primeiramente, para que experimente a elevação e a inspiração da união com a consciência do Mestre e, em segundo lugar, para que possa expressar mais efetivamente seu resultado em sua vida diária.

A inspiração externa do Mestre e o uso do pupilo como canal também são um processo duplo.

Um fluxo contínuo da vida do Mestre em termos de influência búdica — compaixão e amor — é estabelecido no pupilo no grau em que ele está consciente de sua unidade com o Mestre e vive em Sua presença.

Além disso, ocasionalmente, o Mestre direciona poder, inspiração e bênção aplicados externamente, através do ego e da personalidade do pupilo, para o mundo exterior.

O pupilo perfeito é aquele que é capaz do máximo de resposta a essas influências e em quem a resistência a esse processo duplo é reduzida ao mínimo.

Segue-se depois o gradual autoestabelecimento do pupilo no eterno e onipenetrante Poder Átmico que é o Nirvana, um processo somente completado após o Adeptado.

Para auxiliar nisso, Seu Mestre compartilha com ele Sua própria vida nirvânica na medida em que o pupilo pode nela entrar. Ao fazê-lo, Ele sintoniza mais estreitamente o ego com a Mônada, a centelha divina eterna.

Doravante, o pupilo medita a partir do centro egoico, elevando-se continuamente em direção à Mônada, buscando união com ela.

Durante essa fase de desenvolvimento, a consciência superior do Mestre serve como matriz à de Seu discípulo aceito.

Assim como na vida física pré-natal, a proteção do útero materno e de seus corpos sutis auxilia o ego a entrar e gradualmente tornar-se consciente em seus veículos em crescimento, também o Mestre é como um pai espiritual, dentro de cuja consciência e influência a Mônada entra e se torna consciente nos corpos búdico e causal em desenvolvimento.

Assim, ao incluir o pupilo em Sua consciência no momento da aceitação, o Mestre frutifica o germe de todas as qualidades espirituais e torna possível a experiência da consciência monádica.

O estágio da aceitação é, portanto, de grande importância na evolução do indivíduo.

O fato da unidade de toda vida e de toda consciência torna-o também de grande importância para a raça; pois aquele que trilha o Caminho não se afasta de seus semelhantes, mas aproxima-se de uma mais íntima autoidentificação com eles.

Cada experiência espiritual daqueles que estão no Caminho reflete-se em cada ser humano em graus variados, de acordo com o poder de resposta de cada um.

A cada expansão e iluminação, uma luz brilha através do mundo egoico, iluminando cada ego, como o sol da manhã ilumina os picos de uma cordilheira.

A maioria dos egos humanos, embora despertos interiormente, ainda não alcançou a autoconsciência egoica.

Sua resposta a tal influência vivificante é leve, porém definida; sua conquista da autoconsciência egoica é aproximada no tempo.

A cada passo no Caminho, o neófito torna-se egoicamente mais poderoso, brilha com maior luminosidade nos planos superiores e desenvolve um maior poder de vivificação.

O Adepto irradia potentemente poder, luz e amor sobre todas as coisas vivas, humanas, sub-humanas e angélicas.

Seu serviço aos Seus pupilos é um ato no tempo.

Seu serviço à Vida é eterno, parte de Sua contínua ministração a tudo o que vive.

Uma vez que todo o ser do pupilo tenha sido consagrado ao serviço do mundo e ao seu Mestre, Sua consciência torna-se a base a partir da qual todo o trabalho é realizado.

O pupilo vive e trabalha dentro da onipresença do Mestre, que pode ser comparado ao Sol, com os discípulos como globos circundantes, mantidos e sustentados em suas órbitas por Seu poder.

O Mestre, o Doador de Vida, Luz e Poder; eles, as manifestações imperfeitas da mesma triplicidade, desenvolvendo-se rapidamente sob Sua influência em direção àquela perfeição que Ele alcançou.

Ele, como Logos Solar; eles, como logoi planetários, o todo prefigurando o sistema solar sobre o qual Ele, com a colaboração deles, presidirá, quando alcançar a estatura de um Deus Solar.

Como sob tais condições o neófito desenvolve seus poderes espirituais e ocultos, a necessidade de comparecer ao Mestre em Seu ashram diminui.

Contudo, o Mestre frequentemente convida Seu discípulo à Sua presença corporal.

O visitante assim privilegiado experimenta uma intensificação de todos os seus poderes, particularmente de sua vontade de realizar.

A sintonia entre o Mestre e o discípulo é, por enquanto, perfeita, pois os corpos mais sutis do discípulo estão dentro da aura do Mestre.

Uma fusão espiritual, uma união das duas individualidades ocorre, e o pupilo, na medida do possível, pode-se dizer que se torna temporariamente Adepto.

Sua consciência espiritual expande-se até seus limites extremos, sua aura amplia-se, fulgura e cintila, brilhando por um tempo à semelhança da do Mestre.

Nesta íntima comunhão e mútua sintonia, o discípulo sente todo o seu ser expandir-se; experimenta intensa felicidade, como se sua alma cantasse de alegria.

No fundo de si, reina uma profunda quietude, um silêncio absoluto como o do não-manifestado.

Na Presença de seu Mestre, o discípulo descobre a estabilidade imóvel, o equilíbrio inabalável no qual seu Eu superior reside; conhece, ainda que por um momento, o Deus transcendente microcósmico que "permanece" depois que um fragmento de Si mesmo — como Mônada — permeou o espaço — ego e personalidade — para tornar-se o.

Deus imanente ali.

Essa expansão de consciência, a profunda felicidade e a quietude interior que frequentemente persistem por muitos dias após tal experiência são, de fato, sinais seguros para o discípulo de um evento que pode não ser lembrado em detalhes ao despertar.

A memória do Mestre, trazida à consciência ao despertar, é frequentemente sem forma, sendo traduzida como a visão de uma luz brilhante e radiante, como a de um

Cf. Bhagavad Gita.

"Tendo permeado este universo com um fragmento de Mim mesmo, Eu permaneço." sol espiritual.

Verdade, por trás desta lembrança, há o conhecimento de Sua aparência, Sua personalidade, Sua perfeita compreensão de cada aspecto da natureza do discípulo.

A sensação de amizade completa e perfeita é recebida juntamente com a profunda reverência que o pupilo aceito sente.

A experiência marcante, no entanto, é de luz, felicidade, inspiração, novas ideias e conceitos de seu trabalho, de força e capacidade para resolver todos os problemas, para dominar todas as fraquezas, e de renovada determinação para crescer o mais rapidamente possível à semelhança do Mestre.

Parte do treinamento do discípulo consiste em abrir sua consciência cerebral a essas experiências por meio da meditação, em desenvolver o poder de lembrar com precisão as palavras do Mestre, de interpretar verdadeiramente Suas sugestões, de estabelecer e pôr em movimento a maquinaria da inspiração e do gênio, para que possa trazê-las à sua personalidade à vontade.

Nesta fase, a luz dourada do Búdico¹ permeia as experiências do discípulo nos mundos superiores.

Um senso de onipresença e um poder de autoprojeção em pensamento para lugares distantes começam a se desenvolver.

O próprio Mestre é visto como a apoteose da consciência búdica, como um Ser resplandecente de luz dourada.

Exaltado por esta visão, o discípulo

No nível causal, as cores do espectro são vistas; no búdico, principalmente um branco-dourado; e no átmico, apenas o branco, somos informados.

expande sua própria consciência na tentativa de compartilhar da realização de seu Mestre quanto à unidade com a Vida, Sua onipresença, para tornar-se fundido, assim como Ele está fundido, em toda a Vida do sistema solar.

Para ele, essa Vida assemelha-se a um fogo líquido dourado, presente em toda parte e fluindo através de todos os mundos.

Apesar da difusão universal dessa Vida, ela parece fluir ao longo de canais prescritos, que se assemelham de certo modo ao sistema circulatório arterial e venoso do corpo humano.

Artérias, veias e minúsculos capilares conduzem a Vida de Deus através de todo o universo material e para além dele.

Essa rede ou teia viva e resplandecente da Vida Una parece consistir de centros ou sóis minúsculos que se movem tão rapidamente a ponto de produzir o efeito de correntes contínuas.

Cada partícula de vida é, de fato, um sol, uma parte e, contudo, o todo, um centro da Vida Una e, ainda assim, essa própria Vida em toda a sua plenitude.

Em algum lugar no meio desses inúmeros sóis há um Sol Maior, de dimensão superior, Um que os inclui a todos, invisível e, no entanto, conhecido, o Coração de cada sol minúsculo.

Devido a esse fato, a principal experiência é a de unidade com uma essência que tudo permeia, inominável e além do pleno alcance da consciência do discípulo.

Cada tentativa de compreendê-la em meditação aproxima-o mais do Mestre, que é visto gloriosamente transfigurado dentro do mar dourado da Vida, uno com a Vida em cada forma, uma manifestação perfeita da Divindade onipresente.

CAPÍTULO XI

Perfeição Imperfeita.

O Trabalho do Discípulo.

A Necessidade da Pureza.

Amor Universal.

OS fatos essenciais concernentes ao Adeptado referem-se menos à perfeição corporal ou pessoal do que ao completo desabrochar da consciência.

Toda perfeição é necessariamente relativa.

O corpo e a personalidade externa de mesmo o mais elevado Adepto, embora perfeitos do ponto de vista humano, ainda contêm imperfeições.

Estas são inerentes à matéria da qual os corpos são construídos, e à consciência geral da humanidade nos níveis mental e emocional.

A personalidade do Adepto é ainda condicionada, portanto, pelo estágio evolutivo do globo em que Ele vive.

Por mais paradoxal que possa parecer, a qualidade da perfeição está ela própria em evolução, de modo que, em razão da evolução geral do globo, o Adepto de hoje é mais "perfeito" do que o Adepto de um milhão de anos atrás.

A consciência do Adepto, contudo, sendo extraplanetária, é menos condicionada pela matéria do globo do que os seus veículos pessoais.

O Adepto é conscientemente uno com a Inteligência Maior do sistema solar e é, portanto, relativamente livre das limitações de qualquer globo em particular.

À medida que Sua evolução prossegue, Ele entra em união com a Vida do sistema solar e, eventualmente, com o seu Poder.

Assim unido à Trindade Solar, a consciência fica praticamente livre de limitações individuais.

Ao mesmo tempo, porém, a expressão de tão expandida consciência, através de uma personalidade num planeta, é limitada e tornada imperfeita pelas condições desse planeta, pelo grau de desenvolvimento da matéria e da consciência planetárias.

O discípulo deve, portanto, dirigir seus pensamentos mais especialmente para a consciência do seu Mestre do que para a Sua personalidade.

Sendo um com essa consciência, ele compartilha, na medida mais plena que lhe é possível, da unidade do Mestre com a Grande Inteligência, Vida e Poder do sistema solar.

Ele deve meditar, portanto, mais sobre a Consciência Una do Supremo do que sobre qualquer Adepto em particular.

Ele pode elevar-se em amor e veneração para com o seu Mestre e assim passar da consciência pessoal para a egoica, e da egoica para a universal.

Quando o pupilo estava em probação, um vínculo foi formado entre ele e seu Mestre, o que assegura a possibilidade de comunhão à vontade.

Na aceitação, a consciência de ambos tornou-se mesclada, e no estágio da Filialidade¹ uma união interior extremamente íntima é alcançada.

Embora plenamente consciente disso como um ego, o pupilo está a princípio apenas vagamente ciente disso em seu cérebro.

Parte do seu trabalho como pupilo é trazer para a consciência cerebral o conhecimento dessa relação, desenvolver o poder de entrar na consciência do Mestre à vontade.

Isso é alcançado por meditação diária e por viver um modo de vida especial.

A meditação consiste em dirigir a consciência com todo o poder da vontade para o Mestre, com a intenção de tornar-se um com Ele e, através d'Ele, com a consciência universal.

O método diferirá de acordo com o temperamento ou Raio do pupilo.

Em alguns, a "vontade de triunfar" predominará; em outros, o amor e a compaixão; alguns usarão o pensamento e a razão; outros, ainda, a adoração e o culto, encontrando cada pupilo por si mesmo o seu próprio caminho para a consciência do Mestre.

O Mestre, por Sua vez, está imediatamente ciente da meditação dirigida e responde ao pensamento do pupilo, inspira-o e guia os seus esforços.

O Mestre raramente fala ao pupilo durante a meditação, mas inunda o ego e, através dele, a personalidade, com poder, luz e bênção.

Gradualmente, o pupilo rompe as limitações do seu cérebro e temperamento que impedem esse intercâmbio egoico de se tornar fisicamente consciente da sua parte, e se vê capaz de contatar a consciência do seu Mestre à vontade.

A partir de então, estabelece-se a comunhão meditativa diária com o Mestre.

¹ Vide The Masters and the Path, de C. W. Leadbeater.

Caso falhe nessa prática diária ou em exercícios meditativos mais regulares, a personalidade do pupilo permanece divorciada do ego no que diz respeito à consciência; ele não sente contato com o Mestre e a relação perde sua realidade.

Sob tais condições, a utilidade do pupilo para o Mestre como canal de Sua influência é grandemente diminuída.

Em sua vida diária, o pupilo pratica o contínuo recolhimento, nunca permitindo que qualquer circunstância externa absorva completamente sua atenção.

Idealmente, o fato de sua condição de pupilo ocupa uma posição permanente em sua mente, de modo que influencia continuamente seu pensamento, sentimento, fala e conduta.

Por esses dois hábitos, a meditação e o recolhimento na vida diária, o pupilo pode trazer sua consciência pessoal em contato permanente com a do Mestre e viver na realização ininterrupta de sua relação.

Quando isso é alcançado, ele terá se tornado o pupilo perfeito e estará pronto para entrar na próxima fase de sua vida oculta, na qual será espiritualmente renascido.

A consciência do Mestre inclui a de todos os Seus pupilos, pois para Ele o conhecimento da relação é ininterrupto.

Ele os vê a todos como partes de Si mesmo, compartilhando de seus fracassos como de seus sucessos.

Eles são para Ele como planetas para um sol; Ele é para eles como um sol para seus planetas.

A vida do pupilo é sagrada, pois embora viva no mundo, ele não é do mundo. Ele aprende a habitar no santuário inviolável de seu próprio coração purificado e consagrado.

Ele é um templo onde os poderes de sua natureza espiritual estão resguardados, onde a verdade é revelada, e de onde estes são dados ao mundo.

A preservação da inviolabilidade desse santuário é da mais extrema importância para o pupilo.

Se ele permite a entrada de pensamentos, sentimentos e ações mundanos e profanos, sofre uma perda de poder, e sua visão da verdade é obscurecida.

Ele não atrai aqueles que desejaria ajudar para dentro de sua própria morada espiritual, mas os ajuda a encontrar o santuário de poder e verdade dentro de si mesmos, direcionando-os para essa descoberta, e não para um gozo vicário de sua realização.

Poder e verdade prodigalizados indevidamente sobre eles poderiam se tornar um obstáculo em seu crescimento, pois cada um deve descobrir sua própria espiritualidade inerente e desenvolver seu próprio poder.

O pupilo é, portanto, interiormente desapegado dos homens e das coisas, sabendo que cada um possui dentro de si sua própria Luz autossuficiente.

Sua conduta perante o mundo deve espelhar os ideais aos quais ele se dedica.

Deve haver um mínimo de conflito entre sua vida exterior e interior, pois o conflito no pupilo leva à transgressão em qualquer um que olhe para ele em busca de luz e verdade.

Vendo a diversidade entre seus ideais e sua conduta, tais pessoas assumiriam uma latitude semelhante.

Assim, em vez de ser uma luz em meio às trevas, o discípulo tornaria as trevas ainda mais profundas.

Vigilância constante, o hábito de retirar-se para o santuário interior, uma adesão destemida à causa da verdade e da retidão são essenciais na vida do discípulo.

Ele não deve dar ouvidos às palavras de outros, por mais elevado que seja o seu posto, se elas tenderem a enfraquecer sua adesão a essa causa.

Sua própria Luz interior é sua iluminação segura, seu guia infalível.

Em direção a essa Luz ele jornadeia dia após dia, ano após ano, até tornar-se a própria Luz.

Diariamente, à medida que os anos passam, ele deve deixá-La brilhar através de toda a sua vida e obra, tornando-se cada vez mais translúcido aos seus raios.

Luz é verdade e verdade é luz; a senda do discípulo é uma senda de luz.

Como sua vida é una com a do Mestre, suas ações devem representar dignamente essa associação.

Nenhum pensamento, sentimento ou atividade deve ser permitido que manche a pureza perfeita da vida e da consciência do Mestre.

No momento em que há impureza na vida do discípulo, uma barreira se forma; instintivamente, a consciência do Mestre se retira daquilo com o qual Ele não tem simpatia vibratória.

O Mestre sente esse encolhimento quase como um choque, pois, pelo fechamento do canal, que muitas vezes é súbito, a corrente de Sua vida fluente é represada.

Sua força se retira, buscando canais mais puros, até que a impureza seja removida e o canal restaurado.

O discípulo deve aspirar à pureza perfeita, que pode ser conquistada pela contemplação da verdade interior.

Sua consciência deve estar tão firmemente estabelecida na verdade que a impureza, que é relativa inverdade, não possa encontrar nela morada.

A impureza não é vencida pelo conflito com sua causa — um pensamento, sentimento ou experiência física impuros — mas sim retirando-se para o reino do totalmente puro, para a brancura da verdade.

A impureza é a fonte da guerra contínua dos membros do corpo, e somente quando é vencida é que a contenda é abolida.

Ela implica separatividade, pois sem divisão não poderia existir.

Portanto, é uma negação da verdade, pois a divisão é o oposto da unidade, a verdade final.

A impureza destrói o pensamento claro, mancha o amor e profana o corpo, o templo terreno do Deus interior.

Ela implica uma atitude pessoal perante a vida, exclusividade nas afeições e separatividade na conduta, sendo assim a antítese da verdade, que é impessoal e inclui o todo.

A vida perfeitamente pura pertence ao eterno.

O discípulo, parte de cujo treinamento é viver no mundo exterior em meio à impureza e à separatividade, deve guardar com vigilância atenta e vontade de aço o seu modo de vida em termos de conduta, sentimento e pensamento.

A pureza torna-se uma vestimenta resplandecente com a qual o discípulo é investido, e uma joia flamejante na coroa do Iniciado.

Aliado ao amor, conduz à libertação, ao Adeptado, pois pureza e amor são os dois pilares do portal que leva à paz eterna e à bem-aventurança inefável.

Despojado de toda impureza, o amor do discípulo torna-se cada vez mais impessoal.

Por sua expressão contínua, seu poder de amar cresce, até que dele irradia como raios do sol, brilhando sobre todos sem pensar em retribuição.

A afeição retribuída é levada, juntamente com seu próprio amor, ao Mestre, como o único Amado, o supremo Recipiente de todo amor.

O amor do pupilo não se dirige ao Mestre apenas como indivíduo, mas também como o Exemplar da vida espiritual, o modelo da mais alta realização e a manifestação perfeita do Amor do Supremo.

Assim, o pupilo realiza e desenvolve aquele amor universal que é para sempre imaculado pelo egoísmo ou pelo desejo.

Ele não deve permitir que a transmissão, através de si, desse amor supremo seja maculada por imperfeições; antes, deve esforçar-se por levá-lo, em toda a sua pureza, a um mundo necessitado.

Ele deve despertar os corações dos homens para a verdadeira natureza do amor, para o autossacrifício, para o serviço e o desapego, pelos quais somente o amor espiritual se manifesta.

O amor é, de fato, um fogo.

O amor pessoal desperta nos homens a chama da paixão e do desejo.

O amor universal desperta a chama do gênio, do heroísmo no homem; ele brota da visão do Eu Único em tudo, visão que, uma vez alcançada, inspira o amor por tudo o que vive.

CAPÍTULO XII

O Valor da Meditação.

O Caminho do Rápido Desdobramento.

Educação Oculta.

O desenvolvimento da vontade é da mais extrema importância para todos aqueles que trilhariam o Caminho; pode ser alcançado em parte por meio da meditação da vontade, na qual o Mestre, e mais tarde o pupilo, é visualizado como um Senhor da Vontade, a personificação da Vontade Divina, um Deus onipotente.

Através do vínculo de unidade existente entre eles, a realização do aspecto da Vontade do Mestre fortalece o poder de vontade no pupilo.

Todas as coisas então lhe parecem possíveis: suas fraquezas pessoais fáceis de dominar, seus problemas do plano físico simples de resolver — parte do problema mundial e não mais particulares a ele.

Ele se vê como um centro de vontade no mundo exterior, ajudando a humanidade a dominar suas fraquezas por virtude de seu próprio autodomínio crescente.

Quando o Mestre assim ajuda Seu discípulo, Ele faz com que a qualidade ou poder requerido se manifeste fortemente em Si mesmo, e, como o discípulo possui ao menos o germe da qualidade, ele é capaz de responder.

No ato da resposta, a medida da qualidade manifestada nele é aumentada.

O despertar alcançado, o discípulo, pela meditação, expande e desenvolve seus próprios poderes inatos.

Nenhuma palavra parece passar entre Mestre e pupilo neste método de instrução, cujo sucesso depende inteiramente da capacidade de resposta deste último.

O Mestre estimula, o discípulo responde e, depois, continua o processo de desdobramento por si mesmo, por sua prática diária.

Na presença do Mestre, o discípulo está, de alguma forma sutil, em contato com o Adepto que ele deve se tornar.

Talvez este seja o grande serviço que o Mestre presta: colocar Seu devoto ao alcance mensurável de sua própria perfeição.

O caminho de rápido desabrochamento para o neófito consiste em extrair, assim, qualidade após qualidade, poder após poder, das profundezas espirituais de sua natureza, nas quais todas as qualidades e poderes estão latentes, e forçá-los a se manifestar em sua vida diária, trazendo o Adepto do futuro à manifestação presente.

Esse poder de autodesenvolvimento, de enriquecimento e iluminação interiores, no qual até mesmo o tempo é, em certa medida, superado, torna-se possível ao discípulo por meio da oferta graciosa de Sua perfeição pelo Mestre.

Uma vez que Ele alcançou essa grande consumação, é capaz, em certa medida, de estabelecer o processo de realização em outro.

Isso não significa que o Mestre imponha Seus poderes ao discípulo, mas que, por meio da afinidade entre eles, Ele o habilita ou estimula a evocar em si mesmo as mesmas capacidades.

Estas estão presentes em embrião em todo ser humano e serão despertadas e desenvolvidas normalmente durante o lento processo de evolução.

Enquanto o discípulo for capaz de manter a perfeita sintonia de sua consciência com a do Mestre, esse processo de vivificação é contínuo no nível egoico.

Quando ele é recebido pelo Mestre em Sua presença, seus veículos pessoais são iluminados e expandidos, de modo que os resultados do desenvolvimento egoico encontram expressão mais perfeita e mais natural na personalidade.

Durante a meditação, no silêncio absoluto da mente e do cérebro, os frutos desses processos interiores são recebidos pela consciência desperta.

Fortificado e iluminado, o discípulo os torna cada vez mais manifestos em sua vida diária.

Ao fazer isso, ele liga suas atividades mais elevadas e mais baixas, alcançando gradualmente a coordenação em toda a sua natureza.

A autorrealização no cérebro é de imenso valor.

Não apenas torna o discípulo forte e firme em meio às provas físicas do ocultismo, particularmente a da dúvida, mas também impede que o progresso pessoal fique aquém do desenvolvimento egoico.

Mantém constante o tom da vida diária na ação, no sentimento e no pensamento; alarga e mantém abertos os canais entre o Mestre e o ego e a personalidade do discípulo.

*

O fato do discipulado permite livre acesso superfísico à presença do Mestre, de modo que, além da união mística de consciência, há também comunhão e colaboração ocultas entre eles.

O discípulo é ensinado a usar seus corpos mais sutis e a dominar as forças dos mundos superfísicos.

Ele recebe orientação no trabalho físico que realiza a serviço do mundo, bem como nas tarefas superfísicas que constituem a rotina de sua vida durante o sono do corpo.

Estes últimos incluem serviços como a ministração aos recém-falecidos, assistência aos necessitados e sofredores tanto nos mundos internos quanto nos externos, presença no cenário de grandes catástrofes e o dar e receber ensinamentos de e para grupos de companheiros estudantes.

Quando necessário, e especialmente quando os canais são mantidos abertos pela meditação, a memória dessa atividade do sono é recebida no cérebro ao despertar, ou em algum outro momento durante o dia.

O discípulo também recebe ocasionalmente, durante o dia, instrução de seu Mestre sobre a condução de seu trabalho.

Ele é usado como um canal para as forças espirituais do Mestre e da Grande Fraternidade Branca, tornando-se, assim, um portador de grande bênção para o mundo.

Através de Seus discípulos, o próprio Mestre recebe uma ampliação de sua consciência pessoal, pois, estando em união consciente¹ com eles, Ele tem Sua parte em todas as suas atividades.

O vínculo de amor entre Mestre e pupilo é a mais íntima e bela de todas as relações.

O Mestre compreende o pupilo perfeitamente, o mantém misticamente em Seu coração, o irradia com uma profunda afeição espiritual e, portanto, impessoal, compartilha de seus triunfos e auxilia em sua recuperação após as derrotas.

Isso desenvolve entre eles um grande amor, espiritualmente paternal de um lado, e profundamente reverencial e filial do outro, um laço ainda mais durável que o próprio tempo, pois seu amor perdura pela eternidade.

O plano para a evolução da raça humana inclui a formação de tais laços íntimos.

Os Mestres, em uma era posterior, tornam-se Governantes espirituais, Instrutores ou Diretores, com seus antigos pupilos, agora tornados Adeptos, como Seus tenentes no mesmo campo de atividade.

Mais tarde ainda, quando a Governança Mundial é empreendida, os Tenentes tornam-se Senhores da Vontade, Sabedoria e Inteligência, altos Oficiais na Hierarquia Oculta da época.

Quando o domínio interplanetário e solar é alcançado pelo Mestre, os Senhores espirituais tornam-se Seus Regentes Planetários; e assim por diante, através de vidas de sistemas solares e Cosmos, os laços de tal amor permanecendo ininterruptos por todo o tempo.

CAPÍTULO XIII

O Pupilo Aceito.

O Novo Nascimento.

Iniciação.

A Corrente da Vida.

O Trabalho do Iniciado.

NO processo de "aceitação", no qual o pupilo é recebido no próprio coração do ser e da consciência do Mestre, o Mestre realiza para o indivíduo aquele serviço que Ele está prestando continuamente a toda a humanidade.

A aceitação é uma expiação individual; o mistério da expiação vicária¹ é encenado em seu mais alto grau por Mestre e discípulo.

O processo geral e contínuo de expiação, que o Mestre realiza para o mundo inteiro, é necessariamente menos eficaz, no que diz respeito a qualquer participante humano individual, do que a aceitação para o discípulo.

¹ Ver *Invisible Helpers*, de C. W. Leadbeater.

No entanto, uma vez que a essência da vida do discípulo é una com a da humanidade, toda a humanidade participa em algum grau de sua realização e experiência.

Vide Cristianismo Esotérico, de A. Besant.

Caso o discípulo escolha, ele pode estabelecer em si mesmo um processo semelhante de expiação, geral e individual.

Se, por exemplo, um semelhante ser humano despertar seu amor especial, ele pode atrai-lo espiritualmente para o centro de seu ser e passar com ele conscientemente para o coração do Mestre.

Durante tal experiência, o discípulo compartilha tal medida de expansão de consciência e da bênção do Mestre quanto o amigo é capaz de receber.

Tal pessoa, por sua vez, sairá do coração do Mestre glorificada, assim como o discípulo o foi quando ali foi recebido pela primeira vez.

À medida que seus poderes se desenvolvem, ele pode estender essa atividade para incluir grupos de pessoas, audiências, congregações e multidões, tanto vivas quanto desencarnadas.

Ele também pode atrair para seu coração membros do reino das fadas e dos anjos, pois de agora em diante não há barreiras entre ele e a vida em qualquer forma.

Assim, gradualmente, ele aprende a manifestar na Terra e a compartilhar com todos aquela realização completa e perfeita de unidade na qual o Mestre habita.

Essa ajuda, seja do Mestre ou do discípulo, não é de modo algum externa, pois a verdadeira expiação ocorre na consciência búdica, na qual nada existe fora do Uno Self.

Nesse nível, o Mestre, o discípulo e o mundo são um e indivisíveis.

Na consciência egóica, embora o sujeito e o objeto possam ser vistos e distinguidos, sua unidade essencial é conhecida.

Aqui também a assistência dada pelo Mestre é recebida dentro do discípulo muito mais do que de fora.

Ele, por sua vez, repete o mesmo processo para o mundo, na medida em que seu desenvolvimento permite.

A cada passo no Caminho, sua eficácia como agente unificador aumenta, até que por fim ele alcança a Mestria, torna-se conscientemente uno com o "Pai", uno com tudo o que vive.

A etapa da aceitação é, portanto, extremamente importante, tanto para o indivíduo quanto para o mundo, pois na união do Mestre e do discípulo está prefigurada a união consciente final de todos os homens com Deus.

Quando o tempo está maduro, a individualidade do discípulo deve morrer.

Tudo o que foi almejado e conquistado durante a evolução material e mental deve então ser renunciado.

Todas as reivindicações pessoais, mesmo à imortalidade, devem ser retiradas, pois somente quando o velho eu é entregue pode o novo Self nascer.

Este é o nascimento de Cristo no coração humano.

O recém-nascido é o símbolo da rendição absoluta, da renúncia completa.

Nesse estado de "recém-nascido", simbolicamente frágil e inocente em um novo mundo, o discípulo torna-se o objeto do terno cuidado do Mestre.

Ele é o Pai José da alegoria cristã, o carpinteiro, o artesão habilidoso que ajudou a formar o recém-nascido.

A Eterna Mãe do universo, Maria, símbolo da maternidade espiritual, também o ampara, enquanto as Hostes Angélicas se aproximam, incorporando e ressoando no acorde e na nota-chave do “recém-nascido” a sua Palavra criativa de Poder.

A alma, renascida, superou o estado animal e o estado humano normal, simbolizados pelos animais e pelos pastores, e segue-se o parto espiritual na presença dos Anciãos e das Hostes Angélicas.

Isto é a Iniciação¹, o nascimento da alma espiritual do homem; uma verdadeira criação, pois um novo produto resultou da combinação de atributos divinos e humanos que ocorre quando o Portal é atravessado.

Até então, o homem viveu espiritualmente no útero; agora ele se apresenta como uma entidade espiritual, autoconsciente em regiões relativamente novas para ele.

Os reinos intuicionais e espirituais superiores agora se abrem para ele, e à medida que passa da adolescência espiritual à maturidade, ele penetra gradualmente cada vez mais fundo nesses mundos.

Ele ainda está no útero no que diz respeito às regiões superiores, pois toda a criação existe dentro do ventre do Aspecto Mãe do Supremo.

De fato, a evolução consiste em uma série de libertações ou nascimentos, em cada um dos quais o indivíduo renasce em um novo mundo.

Neste primeiro nascimento iniciático, o homem recebe o poder de domínio sobre, e portanto a liberdade nos, três mundos do pensamento, do sentimento e da ação física, nos quais até então esteve aprisionado.

Este tríplice poder é simbolizado na história cristã nos dons de ouro, incenso e mirra, respectivamente, que são depositados aos pés do Menino Cristo pelos Três Reis Magos.

Os Magos têm seus¹ protótipos entre os Irmãos Mais Velhos, em cuja presença ocorre o nascimento.

Eles são os Senhores do Conhecimento, do Amor e da Vontade, que estão presentes e conferem Sua bênção e poder especial ao neófito.

Doravante, pela primeira vez em sua existência terrena, ele é um homem livre, livre no sentido de que nem o indivíduo nem a raça têm qualquer reivindicação sobre ele.

Sua vida é entregue ao Uno Sozinho.

Maria, a Mãe de Jesus, recebeu evidência disso na resposta dada à sua repreensão por sua ausência no templo.

“Não sabíeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?”² Tal é a resposta que todos os Iniciados devem dar a todos aqueles que buscam prendê-los ao passado.

Para o Iniciado, o mundo, e não ele, parece ter mudado, e a essa aparente mudança ele deve gradualmente adaptar-se.

Onde, no passado, ele via divisão, separatividade e pecado, agora ele vê unidade, parentesco e experimentação.

Ele começa finalmente a ver a vida como um todo, a perceber e sentir a Presença onipenetrante do Supremo, a conhecer sua unidade e até mesmo identidade com outros homens, com a Natureza e com as chamadas coisas inanimadas.

Ele percebe que as formas são apenas cofres preenchidos com vida, que os corpos são templos santificados por presenças internas, seres divinos e santos.

¹ Vide *Initiation*, de A. Besant.
² Lucas 2:49.

Sóis, estrelas e planetas não são mais remotos; ele ouve e compreende a música que eles emitem.

Ele sabe que ele e eles — ¹ São Lucas 2, 49. — são partes relacionadas na grande composição que o Músico Divino executa através de todo o tempo.

As vidas são apenas compassos, as mortes recorrentes apenas pausas; a evolução acrescenta linhas à pauta, notas à escala, a sinfonia da criação crescendo em riqueza e em grandiosidade era após era.

À medida que esse conhecimento lhe chega, ele aprende mais perfeitamente a soar seu próprio acorde, pois agora conhece o Compositor invisível e a si mesmo como um só.

Ele começa, doravante, a cantar seu caminho através da vida, achando suas provações e vicissitudes apenas discordâncias temporárias, a serem depois resolvidas, essenciais à harmonia maior.

O eu está perdido; ele se torna como uma nota em uma canção.

A corrente da Vida Una flui de eternidade a eternidade, carregando em seu seio universos, sóis, planetas e homens.

É a corrente vital sempre fluente, o pulsante e divino fluxo de “sangue”, que vivifica todos os mundos.

É o centro de vida em cada átomo e cada célula, o princípio essencial sem o qual nada poderia existir.

Nessa corrente, o Iniciado adentrou conscientemente.

Seu progresso para a “outra margem” depende de sua identificação consciente, cada vez maior, com a corrente.

Até então, embora continuamente banhado, nascido e renascido na vida sempre fluente que é a corrente, ele não conhecia sua unidade com ela.

Embora seu Eu mais profundo seja uno com a essência da corrente da vida, todos os seus veículos de consciência fundados nela, seu próprio corpo e alma sendo instintos com ela, carregados em seu seio, ainda assim ele era inconsciente de sua existência, julgando-se separado e sozinho.

Agora, por fim, a verdade desponta em sua consciência interior, e diz-se que ele “entrou na corrente”; essa corrente de vida que flui da eternidade do incondicionado, através da duração do condicionado, de volta à eternidade, da atemporalidade ao tempo e de volta à atemporalidade novamente.

Aquilo que é eterno nele, sempre em unidade com o eterno em toda parte, começa a modificar sua consciência, a mudar sua relação com sua existência na duração.

Ele se aproxima de um conhecimento do Agora Eterno.

O tempo, que até então o escravizara, ele conquistará por sua vez; trouxe-o à margem da corrente, mas agora fica para trás à medida que a margem recua e sua auto-sintonia com a atemporalidade prossegue.

Ele começa a conhecer a quietude do não-existente, o silêncio além do ser, a escuridão além da luz, e o equilíbrio que é energia em repouso.

A plena realização, a auto-sintonia final e permanente com a eternidade, virá quando a “outra margem” for alcançada e o adeptado for atingido.

O ego, no qual, na Iniciação, a Vida imanente e a Mente onipresente alcançaram a Autoconsciência desperta, atinge assim a visão da Imanência do Supremo.

A tarefa diante do Iniciado é despertar a personalidade para uma realização semelhante.

A Vida e a Consciência divinas na mente, nas emoções e no corpo devem também despertar para a autoconsciência.

Em cada um desses reinos, a divindade interior deve ser realizada e a visão da Vida onipenetrante alcançada.

A realização interior do Iniciado pode ocupar muitos anos ou muitas vidas, dependendo a rapidez do seu progresso em grande parte do grau de visão espiritual alcançado antes de "entrar na corrente". Há muitos não iniciados que alcançaram uma medida de autoconsciência espiritual despertada, enquanto outros, avançados no Caminho, ainda não desenvolveram a percepção espiritual pessoal.

Com o tempo, essa visão do Supremo deve ser alcançada por todos, pois é a meta para a qual a humanidade se move.

O trabalho externo do Iniciado consiste principalmente em servir como canal para os poderes e influências da Grande Fraternidade Branca.

Ele é agora Seu mensageiro e representante no mundo, vivendo apenas para fazer a Sua vontade, que é a Vontade do Supremo.

Não reconhecido, exceto por poucos, ele se move entre os homens como uma influência levedante e vivificadora, um centro de poder espiritual.

Enquanto assim vive e trabalha no mundo externo, sua consciência espiritual se expande continuamente.

Ele penetra cada vez mais fundo nos reinos espirituais internos, cujo esplendor agora começa a brilhar ao seu redor.

Sua aura resplandece, seus pensamentos adquirem potência, seus sentimentos uma profundidade e força que o tornam um homem de poder onde quer que vá.

Sua voz se torna um veículo para as forças da vontade espiritual, seus olhos são preenchidos de luz, seu olhar muitas vezes parece um lampejo de fogo, penetrante como o de uma águia, senhoril como o de um leão, nobre como o de um rei, porém terno e compassivo como o de um Cristo, claro e límpido como o de uma criancinha. Dentro do seu coração, as qualidades de compaixão, amor que tudo abrange e ternura nasceram.

Ele voluntariamente derrubou todas as defesas e seu coração está aberto às dores do mundo.

Ele deixou de lado a armadura do egoísmo, retirou o escudo da separatividade, tornou-se supremamente vulnerável aos ferimentos infligidos pela ignorância do mundo.

Contudo, nenhum ferimento é mortal, nenhuma dor perdura, pois ele descobriu sua imortalidade e se aproxima do limiar da bem-aventurança eterna.

Ele se tornou a encarnação do amor eterno; a crueldade, portanto, não extrai dele nenhuma resposta áspera.

Pela pedra filosofal que é o amor eterno, ele, no cadinho do seu coração, transmuta em seus opostos a dor, a tristeza, a crueldade e o vício.

Ele se torna um alquimista espiritual transmutando a baixeza do mundo em fino "ouro". Agora, de fato, ele deve "oferecer a outra face", amar seus inimigos e ao ladrão da sua bolsa dar também o seu manto, pois tal é a vida do Iniciado, à qual se referem esses ensinamentos do Cristo.

Ele cresce na medida em que os vive, e, crescendo, eleva toda a humanidade.

Ele se torna um Atlas que carrega o fardo do mundo sobre os ombros.

Embora, enquanto humano, esteja curvado por seu peso, não é quebrado.

Como Adepto, ele se mantém ereto sob esse jugo.

CAPÍTULO XIV

Atividades Extraplanetárias do Adepto.

A Vida Consagrada.

O ADEPTO vive além do reino do tempo.

Cada uma de suas ações no tempo está repleta de significado por toda a eternidade.

Seus planos no tempo incluem o conceito de atemporalidade para seu cumprimento final.

Ele vive no eterno, contudo projeta sua consciência no tempo, ambos os estados sendo combinados Nele.

Ele planeja na eternidade e age no tempo, pois resolveu o mistério da relação entre esses dois estados, sendo Ele mesmo um elo entre eles, uma ponte entre a atemporalidade e o tempo.

A vida do Adepto é, portanto, dual; o Adepto é um ser dual.

Sua manifestação no tempo pode ser contatada e compreendida em parte, mas Sua existência na eternidade é para sempre um mistério.

No tempo, Ele tem Individualidade, é um Ser; na atemporalidade, Ele não a tem e não é um Ser; contudo, Ele também é todo Ser, pois é Uno com o Todo.

Ele tem uma existência planetária que, como foi mostrado, é sétupla, constituindo Sua manifestação no tempo na Terra, Sua individualidade.

Ele tem também uma existência extraplanetária na qual está unificado com o triplo Regente interplanetário, que Se manifesta em e através Dele, pois Suas individualidades são uma.

Através dessa identificação com o Poder, a Vida e a Consciência extraplanetários, Ele é também uno com a existência cósmica tríplice, Seu Poder de manifestação nela aumentando à medida que Seu desenvolvimento prossegue.

Sua individualidade terrena é o aspecto menor de Sua natureza; o maior é Seu Eu cósmico, com a consciência interplanetária como o elo entre os dois.

Contudo, o todo não é muitos, mas um: uma consciência, capaz de expressão e percepção em todo o campo.

O Adepto é um Ser cósmico, mais do que terreno, mesmo que uma individualidade terrena com corpo físico seja mantida.

A manutenção de tal corpo é uma questão de escolha, em grande parte decidida pelo modo de ascensão através da humanidade.

Aqueles cuja escolha não inclui a existência física continuada entram em Seus estados extraplanetários e cósmicos, cumprindo Seu destino de Adepto nesses reinos.

- A consciência de tais Adeptos, embora normalmente limitada a Seus campos extraterrestres escolhidos, pode a qualquer momento ser manifestada em qualquer nível em qualquer planeta por um processo de autoprojeção em veículos temporários, materializados para esse propósito, ou emprestados a Eles por um habitante do globo no qual a manifestação deve ocorrer.

Isso pode assumir a forma de uma troca completa de consciência no corpo emprestado, o proprietário saindo e o visitante entrando, ou de uma ofuscação, ou inspiração como a de um Avatar.

As reuniões da Hierarquia governante de Adeptos em um globo não raramente contam com a presença de Conselheiros e Embaixadores extraplanetários, representantes da Hierarquia governante de um sistema solar ou de um esquema de globos.

Assim como o Adepto tem Sua vida e consciência extraplanetárias, também a Grande Fraternidade Branca de cada globo habitado por homens as possui.

Estas, em conjunto, formam o corpo governante de um grupo de globos, sob o Logos Solar.

Este sistema, por sua vez, estende-se a grupos sistêmicos maiores e Cosmos, sendo o todo compreendido e manifestado como uma unidade em termos de consciência cósmica.

Assim, há um contato externo diretivo e protetor continuamente mantido entre o coração da criação, o centro de vida do Cosmos, e a menor vida individual em um único globo.

Uma unidade interna também existe entre o mais elevado e o mais inferior, o centro e a circunferência da manifestação, pois a Vida que anima é Una em todo o conjunto.

Assim, a dualidade do modo de manifestação — de ministração externa, autoconsciente, observada nos reinos mineral, vegetal, animal e humano no globo, por um lado, e de vida interior ascendente e em desdobramento, por outro — tem sua aplicação em todo o Cosmos.

Uma vez que o princípio da ministração pelos mais evoluídos aos menos evoluídos é de aplicação universal e é fundamental para o cumprimento do plano pelo qual o universo progride, segue-se que aqueles que desejam cooperar inteligentemente com a Vontade Suprema devem participar da operação desse princípio.

O primeiro passo rumo à unidade autoconsciente com o Supremo é sempre o mesmo — a ação altruísta que brota do amor.

Se, a princípio, o serviço é pessoal e o motivo individual e separado, o ato nem por isso deixa de ser uma ministração.

Gradualmente, o motivo pessoal cede lugar ao impessoal, o bem-estar individual ao bem-estar do todo.

Dessa forma, o espírito de filantropia é despertado e o segredo da felicidade é descoberto.

O espírito de filantropia inclui não apenas ações de ajuda que não trazem retorno imediato, mas também aquelas que podem causar perda definida e autossacrifício.

Gradualmente, adquire-se o conhecimento de que a perda temporal traz ganho eterno, que o sacrifício terreno traz enriquecimento espiritual.

A promessa de que "aquele que odeia a sua vida neste mundo a guardará para a vida eterna" é agora reconhecida como uma verdade profunda.

Tal conhecimento é o fundamento sobre o qual se estabelece uma vida de ministração; é uma completa inversão da existência humana normal; seus motivos são

A Bíblia.

São João, 12, 25. São Mateus, 10, 39: "Aquele que acha a sua vida perdê-la-á; e aquele que perde a sua vida por amor de mim achá-la-á." — o oposto daqueles que governam a vida comum.

Tanto o indivíduo quanto a raça devem realizar essa reversão antes que o cumprimento espiritual se torne possível; devem crescer do pessoal para o impessoal; devem aceitar a filantropia como o único motivo digno e desenvolver a benevolência a tal ponto que o sacrifício traga nada além de alegria.

Estas são as qualidades necessárias para aqueles que desejam cooperar conscientemente com a Hierarquia de Adeptos no cumprimento da Vontade Una.

Inspirados por esses ideais, o indivíduo e a raça começam conscientemente a tomar parte no cumprimento do Grande Plano do Supremo, a trabalhar a favor em vez de contra a evolução—embora inconscientemente contra—e a se considerar ministros do Altíssimo.

Uma mudança de atitude como essa introduz o elemento de verdadeira santidade na vida e prepara o aspirante para a visão da divindade inerente de todas as coisas, da sacralidade de todos os atos, que se baseia no fato da existência, dentro de tudo, da Una Vida Divina, e por trás de toda ação, do Uno Ator Divino, o Supremo.

A esplêndida visão do Supremo é conquistada pela adesão a essas regras de vida.

A princípio, é experimentada através de lampejos de inspiração, percepções intuitivas e o gradual senso de um destino maior que está sendo cumprido.

Então vem o conhecimento da Inteligência Guia por trás do universo, ordenando todas as coisas, grandes e pequenas, a visão da Mente Una.

Perigos aguardam tanto o indivíduo quanto a raça nessa conjuntura, pois a menos que a atitude de impessoalidade e humildade prevaleça, uma interpretação pessoal é colocada sobre a experiência, e o que é de aplicação universal é mal interpretado como individual.

Isso leva a uma visão estreita e pessoal e ao orgulho—dois grandes perigos contra os quais o aspirante deve sempre estar em guarda, para que não obscureçam sua visão e prejudiquem seu trabalho.

Evitando essas armadilhas, o indivíduo e a raça finalmente consagram seus seres e suas vidas ao incentivo do crescimento, ao cumprimento do Plano uno, à cooperação harmoniosa com a Vontade Una.

Este é o caminho—não há outro—para o cumprimento individual e racial, a felicidade e a paz.

É o Caminho da Vida Divina, o único modo pelo qual essa Vida pode tornar-se perfeitamente Autoexpressa.

É o caminho que todo filho do homem liberto trilhou.

O Adepto, tendo-o trilhado até o fim, está estabelecido em felicidade eterna e em paz que nada pode perturbar.

CAPÍTULO XV

Macrocosmo no Microcosmo.

A Visão do Todo.

O sistema solar é uma unidade individual entre as muitas unidades sistêmicas semelhantes das quais o sistema sideral é composto.

É uma entidade em evolução, uma consciência grupal, movendo-se firmemente em direção à autoconsciência, à "individualização", ou entrada autoconsciente em uma ordem superior de ser.

A vida em qualquer ponto, ou em qualquer parte, do sistema solar é um epítome do todo.

Os processos vitais que ocorrem em qualquer reino da Natureza são reflexos daqueles que ocorrem em toda a Natureza.

A evolução da consciência de grupo dos reinos mineral, vegetal, animal e dos espíritos da natureza em direção à individualidade é uma manifestação planetária da evolução similar de todo o sistema solar em direção a um estado superior.

A individualização do espírito da natureza em angelitude¹ e do animal em humanidade² é um reflexo microcósmico de uma realização macrocósmica.

¹ Vide *The Kingdom of Faerie*, *The Coming of the Angels*, e *The Angelic Hosts*, pela Autora.

² Vide *A Study in Consciousness*, de A. Besant.

Da mesma forma, a libertação alcançada pelo Adepto é apenas parte de uma libertação maior a ser alcançada pelo sistema solar em sua totalidade.

Segue-se, portanto, que cada realização microcósmica ajuda a impulsionar o progresso de todo o esquema.

Uma vez que isto também é apenas parte de um todo ainda maior, este todo maior é igualmente ajudado, e assim por diante *ad infinitum*, pois a totalidade dos esquemas siderais é imensurável, ilimitada e incognoscível; imensurável porque está sempre em movimento, ilimitada porque está sempre em expansão, incognoscível porque está sempre em mudança.

Embora seja todas essas três coisas, como um todo é compreensível porque, embora composto de muitos, é Um.

Por mais infinitamente pequeno que um planeta possa ser quando comparado a esse todo, ele é infinitamente valioso para o todo, pois nele o todo se manifesta em miniatura; a ele o todo está indissoluvelmente ligado; através dele o todo progride.

Nos reinos da vida infinita, o todo e a parte são um.

Assim também, um homem que habita a Terra, perfeito em seu próprio estágio, imperfeito em um estágio superior, é um epítome do Homem Celestial, o Pensador, o Logos, que habita dentro do sol e de todos os globos em revolução.

Esses dois, o homem terreno e o Celestial, também são um, compartilhando a mesma vida, progredindo na e pela realização um do outro, companheiros de peregrinação inseparáveis, diferindo apenas no grau de capacidade de autoexpressão.

Assim, todo o esquema, do qual este planeta e seus múltiplos habitantes fazem parte, move-se como um só, progride como uma unidade, o movimento da menor parte afetando o todo.

Uma vez que, com esse todo, um todo maior está igualmente sempre avançando para uma extensão infinita de ser, cada ação da menor parte exerce uma influência por todo o todo infinito.

Embora descrito como infinito, não é de modo algum distante no tempo ou no espaço, pois na infinidade, tempo e espaço são desprovidos de significado; tudo é aqui e agora.

A estrela mais distante não está mais longe quando vista do ponto de vista do infinito, pois no infinito a distância não existe.

Nos confins do tempo e do espaço, o pensamento gerado por um homem envia uma onda ondulante na matéria do plano mental.

Quando essa onda encontra as barreiras de pensamento que cercam a vida mental solar, seu curso é interrompido.

Em reinos superiores, onde tais barreiras são desconhecidas, a vida por trás do pensamento, o movimento e a essência espiritual do pensador são instantaneamente refletidos e repetidos através do todo, por causa da unidade ou Unicidade que é sua natureza fundamental.

Nele não há tempo, espaço, nem barreira.

A visão que não inclui a concepção do todo é imperfeita; o conhecimento que não se funda na concepção da unidade é incompleto.

Embora o todo não possa ser visto pelo homem mortal, nem a unidade possa ser percebida, ainda assim o princípio da existência do todo e do fato da unidade deve ser apreendido por todos aqueles que seriam videntes e conhecedores da verdade.

No reflexo do macrocosmo no microcosmo reside a chave para todo o conhecimento, pois através da parte o todo pode ser percebido, através do indivíduo o universal pode ser apreendido.

No estudo do espiritual e do oculto, este princípio deve ser aplicado.

Sem ele, todo o conhecimento é como a casca que esconde o miolo do fruto da Árvore da Vida.

Portanto, o estudante ocultista deve meditar sobre a unidade até que uma medida de experiência do todo tenha sido alcançada.

A partir da experiência do fato essencial interior, ele pode então proceder ao estudo com compreensão das partes externas e relativamente não essenciais do todo.

A mente tanto cega quanto ilumina, de acordo com o desenvolvimento evolutivo do pensador.

Na infância e adolescência mental, a mente divide; na maturidade, ela une.

Na análise, a verdade se perde; na síntese, ela é redescoberta.

Contudo, a mente infantil e adolescente precisa analisar para que a síntese seja alcançada de forma autoconsciente.

O perigo surge apenas quando a análise sozinha é levada adiante até a maturidade mental, onde a síntese deveria ser o objetivo.

A mera coleção de fatos não pode iluminar a mente; o pensador deve tornar-se o intérprete dos fatos antes de poder perceber a verdade.

Dos fatos, ele deve proceder aos princípios e destes à verdade subjacente.

A verdadeira interpretação exige pensamento sintético baseado na compreensão do todo.

A humanidade está passando agora da adolescência mental para a maturidade intelectual.

Cientistas de vanguarda estão começando a interpretar espiritualmente os fatos materiais coletados, e isto é um sinal dos tempos.

Líderes religiosos, estadistas e sociólogos devem seguir o mesmo caminho, considerando não a seita ou fé individual, não a nação única ou estrutura social, mas o todo.

Nenhuma religião contém toda a verdade exclusivamente; nenhuma raça ou ordem social exibe toda virtude; contudo, um conhecimento da relação entre as religiões individuais e a religião em si, entre uma única raça ou ordem social e a humanidade como um todo, revelará os princípios sobre os quais todas as religiões são fundadas e todas as ordens sociais baseadas.

À luz dessa plenitude de conhecimento, o sistema perfeito de crença religiosa e a ordem social perfeita podem ser fundados.

CAPÍTULO XVI

O Fragmento e o Todo.

A Fonte da Vida.

A Natureza da Beleza.

A relação entre o Absoluto e o condicionado, o Infinito e o finito, é, para a mente condicionada, um mistério.

A mudança do Ser para o devir, da Eternidade para o tempo, apresenta um problema cuja solução escapa à inteligência finita.

A não-manifestação não implica não-existência; é existência transmutada, poder estático, energia despolarizada, consciência em repouso, espírito tornado imóvel.

Simbolicamente, a manifestação é representada por uma pirâmide.

A não-manifestação poderia ser representada pelo ponto que permanece sozinho quando os lados da pirâmide foram retraídos até o ápice, e a base desapareceu.

A não-manifestação é a mais alta essência da existência e não está, em nenhum sentido, separada do manifestado.

Na verdade, esses dois estados são contemporâneos, pois há sempre um aspecto não-manifestado da vida manifestada.

Isso é verdadeiro para toda expressão de vida — cada reino da Natureza está representado no aspecto não-manifestado da Vida onipenetrante.

O homem — epítome do todo — tem um aspecto de si mesmo que não é expresso.

A personalidade representa apenas um fragmento do ego, o ego apenas um fragmento da Mônada, enquanto a Mônada é uma manifestação no tempo, como positivo e negativo, daquilo que é eterno e não polarizado.

A Mônada está em movimento; o não-manifestado é imóvel.

A evolução é uma jornada empreendida por aquilo que é sem evolução, sem tempo, imóvel e sem dimensões — o Absoluto — do não-manifestado, para dentro e através do manifestado, de volta ao não-manifestado novamente.

No alvorecer da manifestação, Aquilo que era Um torna-se Dois.

Esses dois são espírito e matéria, vida e forma.

À medida que a evolução prossegue, a relação entre esses dois torna-se mais íntima.

Gradualmente, a vida encontra um modo cada vez mais perfeito de expressão através da forma, enquanto a forma torna-se cada vez mais adaptável como veículo para a vida.

Em termos de períodos de tempo, a expressão de um impulso de vida através de uma forma torna-se mais rápida, até que, por fim, é instantânea, tendo a resistência da forma à vida sido reduzida ao mínimo.

A vida aumenta continuamente em plenitude e em poder de autoexpressão, devido em parte à experiência adquirida através da forma, e em parte a um aumento real na medida de vida manifestada na forma.

Isso é verdadeiro tanto para o sistema solar como um todo quanto para o indivíduo.

O aumento na medida da vida tornada manifesta é efetuado pelo brotar, através de uma dimensão interior, da vida a partir de sua fonte.

No âmago da existência, que está além e, no entanto, dentro do sistema solar, há uma fonte de vida, uma nascente através da qual a vida extra-sistêmica flui para o sistema solar à medida que este é capaz de recebê-la. Quanto maior a facilidade e a perfeição com que a vida se expressa através da forma, menor é a pressão da vida no sistema.

À medida que a pressão diminui, a válvula solar se abre e nova vida flui. Esse influxo continua até que o limite da capacidade da forma de proporcionar expressão à vida tenha sido alcançado.

Uma vez que esse princípio é universal, nas profundezas do Eu mais íntimo do homem há uma fonte de vida, uma válvula, através da qual a vida entra em sua Mônada, ego e personalidade.

Cada um destes recebe da fonte interior uma medida gradualmente crescente de vida, à medida que a forma é capaz de recebê-la e expressá-la. Modificada de dentro pela presença e pressão da vida e de fora pela experiência, a forma gradualmente se torna um veículo mais perfeito, um canal mais livre através do qual a vida pode se expressar.

Assim, estabelece-se uma relação cada vez mais perfeita entre vida e forma.

O padrão pelo qual essa relação pode ser medida é o da Beleza.

A beleza da forma é o sinal exterior de sua expressão harmoniosa da vida interior.

Sem tal harmonia interior, a beleza real não pode existir.

Quanto mais perfeita a relação, maior a beleza.

A resistência da forma à manifestação da vida é gradualmente reduzida à medida que a evolução prossegue.

Eventualmente, a sincronização é alcançada e os impulsos interiores da vida encontram expressão imediata e completa através da forma.

Sob essa condição, tanto a forma quanto a expressão são supremamente belas.

A beleza é, portanto, o padrão pelo qual as realizações evolutivas podem ser medidas, o selo distintivo da forma espiritualizada em qualquer reino da Natureza.

O homem espiritual será marcado pela beleza do sentimento e do pensamento, expressa espontaneamente como beleza na conduta da vida.

A fealdade deliberada é uma negação da divindade, uma rendição ao domínio do Caos.

Ignorar a beleza é ignorar a Deus.

Aquele que cai nesses erros nega e, portanto, aprisiona mais profundamente o Deus dentro de si mesmo.

Ele é um desertor para as fileiras do Caos, um traidor do domínio da Lei.

CAPÍTULO XVII

A Guerra no Céu.

A Guerra no Homem.

Vitória.

O CAOS é o grande oponente da Ordem, e durante a manifestação há um conflito incessante entre eles.

São os polos negativo e positivo da manifestação e, no entanto, na Raiz Una os dois são um.

A manifestação é uma guerra incessante entre esses dois grandes antagonistas.

No alvorecer da criação, o Caos reina, senhor dos campos do espaço.

Ao meio-dia, o conflito está em seu auge, pois então as forças opostas são iguais em poder.

Segue-se a derrota gradual do Caos, que no ocaso solar é completa.

Então a Ordem reina, e nela o Caos — de modo algum destruído — foi absorvido, suas forças unidas e harmonicamente trabalhando com as da Lei.

A doença é uma vitória temporária do Caos.

Guerra, fome e pestilência são sinais de seus exércitos avançando.

Embora seu ataque à forma seja destrutivo, através da sábia liderança da Ordem é¹ vantajoso para a vida.

A batalha incessante entre Ordem e Caos mantém o processo de desenvolvimento, é o meio de crescimento.

A história da guerra no céu entre os Anjos da luz e das trevas é uma referência alegórica a este fato.

Nela, o céu se refere ao estágio na criação do sistema solar no qual o Uno primeiro se torna o Dois; um estágio que se repete na existência planetária, como também na individual.

A guerra no céu é uma guerra eterna, travada continuamente pelos grandes oponentes, espírito e matéria, vida e forma, universalidade e individualidade.

Nessa batalha não pode haver vitória final para nenhum dos lados, pois as forças opostas são iguais em poder; contudo, a natureza e o plano do conflito mudam assim como mudam os dos exércitos opostos.

A princípio, a guerra é travada em reinos puramente espirituais, como na alegoria da guerra no céu.

Gradualmente, o campo de batalha muda, movendo-se "para baixo" através dos planos da Natureza até que o físico é alcançado e o conflito está em seu auge.

O Grande Árbitro observa a luta, e quando, como resultado dela, aquilo que Ele planejou se concretiza, Ele move o campo de batalha "para cima" através dos sete planos da Natureza até o mais elevado Espiritual, até que todo o universo séptuplo tenha sido duas vezes submetido à guerra entre Ordem e Caos.

Este Armagedom macrocósmico é repetido microcosmicamente no homem.

Sucessivamente, os sete princípios¹ do homem tornam-se campos de batalha nos quais o grande conflito é travado.

O crescimento do microcosmo — o homem — procede paralelamente ao crescimento do macrocosmo; pois o homem é tanto uma unidade no exército do Logos, quanto o Logos dos sete princípios ou corpos que constituem seu próprio universo, ele próprio também composto de muitas "vidas". O Armagedom humano é perpétuo; no homem, uma guerra constante está sendo travada entre sua natureza espiritual e sua natureza material.

Ele também está em conflito com a matéria do mundo em que vive, sempre resistente à sua vontade.

Toda autoexpressão, seja através da vontade, pensamento, sentimento, fala ou ação, produz conflito.

A vida determina, a forma resiste; a consciência busca liberdade, a matéria confina.

O artista, mesmo no momento de maior inspiração, está em conflito com os meios de sua arte, pois, como sempre, a matéria resiste à impressão do espírito.

Como resultado da batalha, a vontade se desenvolve, a sabedoria aumenta, a consciência se expande.

Matéria e espírito compartilham igualmente a vitória.

Pode-se dizer que a matéria conquista no sentido de que nenhuma impressão permanente do espírito pode ser feita sobre ela; embora capturada por um tempo, eventualmente escapa.

Física, etérica, emocional, de mente concreta, constituindo a personalidade mortal, e de mente abstrata, de intuição e de vontade, constituindo o Self ou ego imortal.

Vide Man Visible and Invisible, de A. Besant e C. W. Leadbeater.

Assim como o escultor modela primeiro em argila — depois, quando extrai seu molde do modelo, quebra-o e usa a argila novamente em trabalhos futuros.

Parece que o espírito conquista na medida em que, em grau gradualmente crescente, a matéria se torna sua serva; contudo, o espírito perde continuamente, pois nenhuma vitória final é jamais alcançada.

Somente ISSO, o Uno Sozinho, obtém vitória permanente.

Aquilo que está além do conflito, e contudo é a causa do conflito: Aquilo que não é nem espírito nem matéria, mas é da essência de ambos: Aquilo do qual emergem tanto a vida quanto a forma: Aquilo ao qual ambos retornam — Isso alcança completamente Sua meta pré-determinada.

O conflito eterno atinge seu auge no homem, pois nele está o campo de batalha onde o equilíbrio de forças começa a ser alcançado.

Nos reinos da Natureza abaixo do humano, a matéria reina e o espírito está aprisionado.

Nos reinos super-humanos, o espírito reina e a matéria é dominada.

A humanidade é, portanto, a linha de frente da batalha neste período da evolução do sistema solar.

Visto que no homem a batalha mais feroz se trava, também no homem a maior realização é conquistada.

Os poderes espiritual, intuicional e intelectual do Logos tríplice, através de sua representação na constituição humana, encontram expressão autoconsciente como ação, sentimento e pensamento, respectivamente, no homem.

Essa expressão, ao ser aperfeiçoada, traz ordem aos três mundos mais densos.

As forças do Caos estão alinhadas contra o estabelecimento dessa lei.

Seu modo de ação é tentar o homem a viver continuamente uma vida pessoal em vez de uma vida universal: a agir separadamente, com motivos pessoais, em vez de cooperativamente para o bem-estar do todo.

Sob essa tentativa incessante, o homem cai continuamente.

Mas, como toda queda produz dor e autolimitação, esse modo de ataque derrota seus próprios fins.

O homem raciocina da dor e da limitação até sua causa; e raciocinando, ele aprende.

À medida que aprende, a tentação de viver para si mesmo em vez de como parte do todo perde seu poder sobre ele, e a visão da vida universal desponta em sua consciência.

Então, um conflito é travado mais profundamente dentro dele entre os aspectos pessoal e universal de sua natureza.

O pessoal, no qual a matéria predomina, busca a autopreservação, a autoengrandecimento e a autoiluminação.

O universal, no qual o espírito predomina, busca preservação, engrandecimento e iluminação para a vida como um todo.

O Self interior sabe, embora a princípio o exterior não saiba, que somente em tal consumação pode ser alcançada a felicidade perfeita e ininterrupta.

O self pessoal exterior do homem, ainda preso aos grilhões da matéria, do tempo e do espaço — os triplos atributos do Caos, a trindade espiritual refletida — busca nos reinos da ação, do sentimento e do pensamento uma satisfação material, temporária e localizada, apreendida para a unidade, não compartilhada com o todo.

O Self universal e interior do homem busca a realização espiritual, eterna e universal, compartilhada por tudo o que vive.

Entre esses ideais não pode haver compromisso, e novamente a razão e a experiência, os mestres do homem, trazem a vitória final para o ideal universal.

Lentamente o homem aprende que as maiores posses físicas, emocionais e mentais conquistadas somente para si mesmo inevitavelmente desaparecem, deixando para trás o descontentamento.

Gradualmente ele aprende a buscar tesouros que são eternos.

Uma vez que essa busca tenha começado, a vitória da Ordem sobre o Caos está assegurada.

A nova busca atrai poder adicional ao Self impessoal e abre canais para seu fluxo no pessoal.

Assim chegam os reforços, a influência da matéria é diminuída, e a maré da batalha se volta a favor do espírito.

Em sua constituição, em seu objetivo e nos meios pelos quais ele é alcançado, o homem é um epítome do universo.

Uma vez que o conflito eterno é o meio de realização, a humanidade pode ser considerada a linha de frente, o lugar de prova do universo; daí a dificuldade da vida humana.

Embora as dificuldades do homem sejam grandes, grande além da imaginação humana é sua recompensa.

Vencida a batalha, o conquistador empunha poder irresistível, adentra a bem-aventurança inefável e habita na paz eterna.

CAPÍTULO XVIII

Deus Geometriza.

Símbolos Espirituais nos Reinos Mineral, Vegetal, Animal e Humano.

A SIMETRIA é uma expressão da unidade da vida e de sua distribuição igual como uma essência onipresente que permeia todas as formas.

A forma é uma expressão da interação entre a vida e a matéria.

Todas as formas naturais são moldadas simetricamente.

A esfera é a expressão dinâmica mais perfeita, em forma, da relação da vida com a forma.

O cubo é sua expressão estática perfeita; girando sobre um de seus pontos, produz uma esfera, símbolo da vida e da forma unidas.

A pirâmide expressa a evolução da primeira dualidade em manifestação perfeita.

O ápice é o ponto primordial, a válvula através da qual a vida eterna passa para o universo.

Ao passar por ela, é submetida ao condicionamento da matéria.

Seu fluxo externo é quádruplo e é expresso simbolicamente pelos lados que se expandem da pirâmide.

A base, um quadrado, representa o mundo físico.

O ápice, um ponto, representa a região mais elevada manifestada, a fonte da existência.

A perfeita simetria de toda a figura expressa a lei perfeita pela qual a vida se manifesta na forma.

Os lados infinitamente extensíveis indicam as possibilidades ilimitadas da evolução da vida e da forma.

Vista dessa maneira, a pirâmide simboliza a verdade por trás da manifestação.

É um símbolo do Terceiro Aspecto do Supremo, a interação entre vida e forma, a relação entre espírito e matéria.

A vida perfeita em qualquer reino da Natureza expressa essa relação tão completamente quanto a pirâmide.

O mineral é composto de cristais formados e dispostos com precisão geométrica.

A planta cresce de acordo com princípios geométricos, e sua flor é modelada sobre uma forma geométrica fundamental, como a cruz e a estrela.

Em seu modo de crescimento, ela exibe a espiral e o cone.

Por meio de símbolos, a vida vegetal em seu estado natural retrata em perfeição o princípio de sua própria existência, a lei de seu ser, que é aquela que rege a relação entre a vida vegetal e a forma vegetal.

No reino animal, onde há consciência de grupo, mas ainda não consciência individual completa, a individualidade está por ser alcançada.

Aqui, modificações e imperfeições de forma aparecem; contudo, apesar das imperfeições, um simbolismo completo é mostrado.

A coluna vertebral e as pernas formam três lados de um quadrado ou paralelogramo, sendo o quarto lado completado pela superfície do solo e pelas linhas de força que conectam as pernas dianteiras e traseiras.

O pescoço e a cabeça salientes simbolizam o crescimento resultante do esforço da vida interior para encontrar novos modos de autoexpressão através de novos tipos de forma.

Aquele princípio que era a flor na planta é expresso como a cabeça do animal; aquilo que eram as raízes é agora simbolizado pelos pés — ainda presos à terra, porém móveis.

A coluna vertebral e as costelas exibem uma cruz de múltiplos braços, enquanto o contorno e as seções transversais de cada osso indicam símbolos fundamentais.

A cabeça do animal projetada para fora do corpo reflete em forma microcósmica a existência de consciência e vida extra-sistêmicas.

Ela corresponde ao ápice da pirâmide, a válvula através da qual a vida que está além é capacitada a alcançar a vida já interior.

Assim como o sistema alcança a vida que flui para dentro, o animal projeta sua cabeça, estendendo-se em busca de experiência individual, sensação, pensamento e vida.

Que a matéria alcance a vida é uma verdade fundamental; apesar de sua resistência, ela sempre evoca vida, pois essa é sua resposta ao impulso evolutivo — o impulso da vontade criativa em direção à perfeição.

No mineral esse impulso aparece como afinidade química; na planta, como crescimento para cima e como polaridade e atividade sexuais elementares; no animal, como o impulso da cabeça para a frente, como sexo e como resposta à emoção e ao pensamento.

A medula espinhal nos vertebrados é o símbolo físico da Vontade Una, direta em sua ação, porém flexível.

No homem, a postura ereta e os braços estendidos formam a cruz que retrata a vida manifestada na forma.

Com os pés afastados, braços estendidos, cabeça e espinha eretas, o homem representa o pentágono, símbolo da vida libertada.

Este, como já mencionado, é um símbolo dominante no reino vegetal, no qual a vida alcançou a liberdade da inércia mineral.

O homem, libertado da consciência de massa instintiva do animal para a individualidade autoconsciente, também exibe o signo da vida libertada.

Não inconscientemente, como na planta, nem em seu porte normal, mas somente quando seus braços estão estendidos para ajudar seus irmãos, fazendo assim o signo da cruz sacrificial.

O símbolo régio brilha no homem interior, assim como o signo sacrificial aparece no exterior.

CAPÍTULO XIX

Do Homem ao Super-Homem.

O Símbolo do Cone.

A Mente Onipenetrante.

A relação entre vida e forma — inconsciente no Mineral, instintiva na Planta e no Animal — manifesta-se como consciência autoconsciente no Homem.

Essa completude da triplicidade é o fator que diferencia o homem dos reinos sub-humanos da Natureza.

O homem é o primeiro logos microcósmico e deve, portanto, aprender aquela arte que o Macrocosmo exibe tão perfeitamente: a de mesclar vida e forma, de manifestar o espírito através da matéria.

A tarefa do reino humano é aperfeiçoar a técnica de moldar a matéria à vontade do espírito.

Seu cumprimento depende do reconhecimento, por parte do homem, do Supremo como o Único Trabalhador e de sua oferta de mínima resistência e máxima adaptabilidade à Sua atividade.

A adaptabilidade perfeita exige a ausência de inibição aos impulsos interiores que surgem na consciência como resultado da atividade do Supremo.

Deve haver total rendição a essa atividade, uma constante escuta e vigilância interiores para que o propósito do Único Trabalhador possa ser apreendido e cumprido.

A capacidade de total auto-insulamento do mundo exterior e de inteiro desinteresse são fatores essenciais para estabelecer uma harmonia absoluta entre a Inteligência diretora Una e a consciência individual do homem.

Aquele que deseja elevar-se de homem a super-homem deve aprender a responder livre e continuamente à iluminação e à intuição e a dar expressão imediata e desimpedida a seus impulsos em sua conduta de vida.

Ele deve praticar a ciência da auto-iluminação e a arte da intuição, tornando-se eventualmente perito em ambas.

A fonte de toda a sua ação, o motivo de todo o seu trabalho, deve provir exclusivamente desses reinos interiores de sua consciência, de onde emanam a iluminação e a intuição.

Ao alcançar isso, o super-homem exibe o símbolo do cone, que é a pirâmide com tudo o que ela implica, girando com estabilidade giroscópica sobre um eixo central.

Enquanto gira, linhas e ângulos desaparecem; a base quadrada funde-se no círculo, tornando-se os dois um só.

Portanto, o cone é o símbolo da arte aperfeiçoada de relacionar vida e forma.

A fonte, que era o ápice, as linhas fluentes de vida que eram os lados, e os mundos materiais que eram a base, tornaram-se um só enquanto a pirâmide inteira gira em perfeita resposta à vida descendente.

O cone, em forma e função, é primeiramente produzido pelo impacto do espírito sobre a matéria.

O átomo é, na realidade, um corpo em forma de cone, um vórtice giratório na matéria etérica, um funil que transmite energia.

Os átomos são de dois tipos.

Um é formado pela energia que flui para fora e o outro pelo seu retorno.

O funil atômico opera automaticamente; o super-humano opera autoconscientemente, mas com igual perfeição.

O próprio sistema solar pode ser concebido com precisão como tendo forma de funil.

Nas dimensões mais elevadas, percebe-se um vasto cone giratório.

Paradoxalmente, a abertura volta-se em todas as direções.

O eixo aponta sempre para o vidente.

Nas dimensões inferiores, muitos funis aparecem, aumentando em número até que, no nível físico, cada átomo seja um funil, todos juntos compondo o grande funil único que é o modo de manifestação da energia do Supremo.

O sistema solar, por sua vez, faz parte de um grupo superior de funis que juntos compreendem uma grande unidade, uma entre muitas, formando um cosmos.

Cosmos combinam-se naquela unidade última que é e inclui o todo.

A forma de funil é uma manifestação de força do Aspecto Inteligência do Ser, que é onipresente, presente em cada átomo de cada mundo.

Ela se manifesta individualmente através de inteligências encarnadas de variados graus de desenvolvimento.

Ela é, em Si mesma, um Ser, embora de natureza incompreensível ao Intelecto que guia, por trás e dentro de todos os processos naturais.

Esse "Ser" é o Grande Projetista de todas as formas, o Criador de Padrões, que constrói os arquétipos sobre os quais todas as formas são modeladas, pelos quais também toda forma é moldada cada vez mais perfeitamente como veículo para a vida.

Os arquétipos sistêmicos não são, de modo algum, separados de seu Criador; são manifestações objetivas de Sua Consciência; tampouco são separados de suas expressões materiais, as formas em evolução.

Eles são os elos entre a consciência do Designer e sua expressão objetiva em formas variadas: sínteses da essência de ambos: manifestações modificadas da intenção criativa, conforme expressas no reino intermediário do pensamento abstrato.

O Grande Designer, Arquiteto, Artista e Modelador, onipresente em todos os mundos, é também o Mestre Matemático.

Seus arquétipos são equações, as fórmulas da criação.

Ele é também o Mestre Químico, sendo os elementos químicos, com suas afinidades e repulsões, o produto de Seus trabalhos em Seu laboratório solar.

Ele é a Mente Onipresente; o Intelecto que Tudo Penetra; o Administrador da lei pela qual o propósito da existência é cumprido.

CAPÍTULO XX

A Ministração dos Anjos.

A Ministração dos Adeptos.

Em Seus labores sônicos, o Supremo, como Pai, Filho e Espírito Santo: Criador, Preservador e Produtor de Formas, é assistido pelas hostes angélicas, que desempenham a dupla tarefa de vivificadores da vida e construtores de forma.

Em todos os seres vivos, os três Aspectos do Supremo estão representados em graus variados de autoconsciência desperta.

No reino mineral, Eles estão adormecidos no que diz respeito à atividade externa; no reino vegetal, Eles sonham; no animal, despertam; e no homem, alcançam a autoconsciência mental.

No Adepto, Eles estão plenamente desenvolvidos e perfeitamente manifestados.

Nos reinos mineral e vegetal, as hostes angélicas suprem vicariamente a autoconsciência até então não desperta dos três Atributos.

Aqueles nos escalões mais elevados dos "Seres Luminosos" tornaram-se a personificação aperfeiçoada desses Atributos, que transferem através de suas ordens graduadas até os espíritos da natureza, que ministram à consciência adormecida e auxiliam na construção das formas do reino mineral da Natureza.

O poder vivificador do Supremo, assim, atua através das hostes angélicas sobre a consciência adormecida na pedra, no metal e na joia, fazendo-a sonhar e auxiliando seu progresso rumo ao nascimento da autoconsciência.

Esse serviço a hierarquia angélica presta de era em era, desde o próprio alvorecer da vida solar e da existência planetária até seu fim, suprindo vicariamente o elo autoconsciente entre a tríplice universal de poder nos reinos superiores da consciência e o Deus Trino aprisionado, que dorme inconsciente no reino mineral.

No reino vegetal, os resultados desse serviço são mais imediatamente aparentes do que no mineral.

A consciência vegetal e a forma vegetal são mais responsivas a estímulos do que no reino inferior.

No mineral, a resposta é quase inteiramente ao aspecto de poder, tanto do Supremo quanto das hostes angélicas.

Na evolução vegetal, que produz senciência, o aspecto de sabedoria, tanto imanente quanto angélico, está envolvido.

A influência dos anjos do reino emocional é aplicada, e ocorre o despertar emocional.

No reino animal, onde a resposta aos estímulos é ainda maior, a influência da mente é aplicada através do aspecto inteligência ou consciência, tanto imanente quanto angélica.

Essa influência superior atua — primariamente a partir do nível causal — sobre o reino animal através da consciência de grupo, mas a partir da corrente de vida monádica e através dos átomos permanentes.¹ Ela inclui a ministração angélica no nascimento da individualidade.

Nesses três reinos, os espíritos da natureza são especialmente ativos, embora com resultados amplamente diversos.

Os gnomos do elemento terra, juntamente com todas as variadas subdivisões, raças e tribos de espíritos da terra, representam o aspecto poder do 'Supremo e da hierarquia angélica.

Isso eles transmitem e aplicam instintivamente, através de suas operações construtoras sob a influência formadora da Mente Universal.

A Uma Inteligência ordena e direciona suas diversas atividades, enquanto a Uma Vontade os estimula à ação constante.

Devido ao poder criativo da Uma Vontade, da qual esta ordem das hostes angélicas é uma personificação em seu reino, cada ato seu contém uma potência natural formadora de formas, libera uma força vivificadora cuja influência está fora de toda proporção com sua inteligência e lugar na evolução.

As construções moleculares básicas e as formações cristalinas do reino mineral são o resultado, em parte, da atuação sobre a matéria livre da energia criativa ou Força do Verbo e, em parte, do "poder de pensamento" de massa de grupos ou tribos de espíritos da natureza da terra.

Sua força de pensamento, um "retransmissor" instintivo da Mente Universal e dos

¹ Átomos únicos dos sete planos ligados a cada Mônada.

Ver A Study in Consciousness, de A. Besant.

membros superiores de sua hierarquia, é altamente formadora, produzindo formas nos mundos emocional e etérico.

Tais formas são os modelos do sólido mineral final.

Elas surgem na consciência de grupo dos espíritos da natureza a partir da Mente Universal, na qual esses modelos existem como arquétipos.

São poderes vivos, forças moldadoras, em associação com cada uma das quais está uma ordem de anjos, cuja nota-chave vibratória ou acorde de sua natureza é a do arquétipo.

A preparação e o aperfeiçoamento desses arquétipos ocupam um vasto período de tempo na abertura de cada novo esquema de evolução.

Durante épocas sucessivas, eles são projetados plano a plano para fora, em direção ao mundo material.

Essa projeção consiste no impacto de suas energias emitidas em comprimentos de onda característicos sobre a matéria de planos sucessivamente mais densos.

Os construtores angélicos absorvem e transmitem a Força do Verbo ou som criativo, que, atingindo a matéria dos planos, faz com que ela assuma formas típicas ou correspondentes.

Esta transmissão do Verbo convoca ordens apropriadas de anjos construtores e espíritos da natureza para a tarefa de auxiliar na produção e, posteriormente, no aperfeiçoamento das formas.

Ultimamente, o plano mais denso é alcançado, cuja matéria irresponsiva lentamente assume a forma desejada.

Deve-se presumir que, sem esse auxílio das hostes angélicas e dos espíritos da natureza, o processo de criação se realizaria sob a lenta e automática operação da lei de ressonância; mas o tempo empregado seria grandemente aumentado.

Esquemas de evolução podem ser imaginados nos quais esse auxílio está ausente, e outros nos quais ele é realizado de forma mais eficaz.

Portanto, é verdade que, sendo perfeitamente planejados, os processos da Natureza são perfeitos em si mesmos.

Contudo, neste planeta ao menos, e sem dúvida neste sistema solar, ocorre a ministração dos anjos, apressando o cumprimento do plano divino.

Ao se alcançar aquela individualidade que é a meta da evolução animal e marca o nascimento do ego humano, a ministração angélica ao reino humano é em grande parte limitada à construção e manutenção dos corpos e à construção e ajuste do mecanismo da consciência.

O homem tem o poder de continuar sozinho até a próxima fase de sua evolução; nenhuma agência externa não-humana pode dar assistência interior.

A diferença intrínseca de vibração entre o humano individual e o anjo é normalmente grande demais para permitir sua sincronização interior.

No nascimento da individualidade, a nota distintamente humana é emitida.

Embora os anjos ministrem no nascimento, auxiliem na construção e na afinação do instrumento, contudo, uma vez que a primeira nota é emitida pela Mônada humana — positivamente humana por escolha —, somente então o homem pode vibrar sincronicamente com o homem.

Assim, quando o ego humano foi formado, a ministração espiritual torna-se responsabilidade daqueles que estão mais avançados ao longo do caminho da evolução humana.

Assim como em toda a evolução eônica do poder, da vida e da consciência através dos reinos mineral, vegetal e animal é proporcionada assistência, também no reino humano a humanidade infantil é guiada e inspirada por seus Irmãos Mais Velhos.

Durante sua infância na Terra, grandes Senhores, elevados Adeptos, com bandos de discípulos, desceram do planeta Vênus¹ para assumir essa tarefa.

O estágio humano havia sido alcançado pela vida animal; a forma humana bípede havia sido evoluída com auxílio angélico, mas o elo do intelecto despertado, essencial para a bem-sucedida autoexpressão do recém-nascido Self trino, faltava.

Os Senhores de Vênus eram super-homens nos quais a evolução mental estava completa.

Eles, portanto, puderam acender em outros o fogo da mente, plenamente aceso em Si mesmos.

O instrumento mental humano foi construído com auxílio angélico segundo o padrão do arquétipo; contudo, nenhuma música emanou da lira de quatro cordas do veículo mental, pois o ego recém-nascido não sabia como tocar as cordas.

Os Senhores da Chama de Vênus realizaram um duplo ministério; Eles afinam a lira da mente humana na Terra e, tocando a primeira nota, despertaram o ego humano para o conhecimento do instrumento da mente.

Desde então, os Mestres Adeptos guiaram a raça infantil e ainda a guiam.

Sua Presença visível, não mais necessária, foi retirada há muito tempo, e desde então, exceto pelas raras visitas do Senhor do Amor,¹ Eles têm guiado a humanidade invisivelmente.

O progresso humano segue um caminho espiral, e quando o ciclo de desenvolvimento material se aproxima do cumprimento, o homem entra em um novo ciclo de crescimento espiritual, no qual espiritualmente ele é “como uma criancinha.” Em sua infância espiritual, como nos dias antigos em sua infância racial e material, ele recebe auxílio externo, novamente vê seu Mestre face a face.

A orientação externa é renovada no ciclo de desdobramento espiritual, e a relação de discípulo e Mestre é estabelecida.

“Quando o aluno está pronto, o Mestre aparece”²

L’ENVOI

Paz.

Beleza, O Deus Triúno.

PUREZA, força, estabilidade — estas formam o fundamento tríplice sobre o qual somente a paz inabalável pode ser estabelecida na alma.

Paz, serenidade, equilíbrio — estes são essenciais para o bem-estar da alma.

Sem estes, a vida é vã, a realização anulada, o sucesso apenas um sonho.

Somente na quietude a alma pode ser nutrida, no silêncio a união pode ser alcançada.

A quietude interior proporciona um refúgio seguro, um porto seguro, uma defesa inexpugnável contra o ruído exterior.

O ruído externo deve servir como um estímulo constante para a conquista da paz interior.

Na escuridão da noite universal, os mundos solares nascem.

Na escuridão da terra, ocorre a germinação da semente e as plantas nascem.

Na escuridão do ventre materno, o corpo de uma criança é formado.

Da escuridão absoluta, sóis, globos, plantas e homens emergem para a luz.

A partir de então, cada um emite sua própria luz, que foi acesa na escuridão da noite criativa.

Assim também o esclarecimento silencioso da alma, pois em seu significado espiritual, escuridão e silêncio são um.

Nas terras ocidentais, o crescimento da alma é prejudicado pelo ruído.

No Oriente, o valor do silêncio é compreendido, o poder da paz é conhecido, e lá a vida silenciosa ainda pode ser vivida.

No Ocidente, cada alma deve criar um silêncio para si mesma e aprender a habitar nele.

O ruído perturba a harmonia essencial à beleza da alma.

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¹ Ver *Man: Whence, How and Whither*, de A. Besant e C. W. Leadbeater.  
² Como Fundador das grandes religiões mundiais.

Isso distorce a forma de todas as formas em crescimento, destrói sua beleza ao desfigurar a "afinidade" entre o modelo arquetípico na Mente Universal e a forma a ser evolvida na oficina do mundo.

As inúmeras forças que o Artista Supremo emprega, os espíritos acompanhantes que dirigem seu curso — inteligências grandes e pequenas, autoconscientes e instintivas, construtores cósmicos e atômicos — todas dependem do ritmo, da completa sintonia, para a perfeição de sua obra.

A discordância produz feiura.

Não as doces harmonias da vida humana vivida em paz, o som do trabalho humano, a música das vozes, nem o som de instrumentos feitos pelo homem, pacificamente empregados e dirigidos por uma mente tranquila em paz com Deus, pois estes formam um doce acompanhamento para a música jubilosa da alma.

Mas os ruídos artificiais de uma vida artificial, os sons discordantes de uma atividade irritadiça, febril e não natural, estes geram feiura e destroem a paz.

Aqueles que são forçados a viver em meio a essas condições devem aprender a compensá-las desenvolvendo uma paz interior, firmemente fundada na pureza, na força e na estabilidade.

Não pode haver iluminação espiritual sem silêncio, sem recolhimento interior e sem paz interna.

Portanto, o aspirante deve ser puro, deve ser estável, pois na pureza e na estabilidade a paz habita.

Embora a vida eterna seja o real e a vida temporal diária o irreal, aqueles que trilham o caminho espiritual não estão de modo algum livres da obrigação de tornar a vida diária e seu mundo imediato supremamente belos.

Devem considerar a vida como uma obra de arte e, diariamente, torná-la mais bela.

Cada vida humana é parte de uma grande obra de arte que o Artista Supremo continuamente cria.

A perfeição de Sua obra depende da perfeição da vida humana.

Quando o homem desfigura a vida pela feiura, a vida do Artista Supremo também é desfigurada.

Quando o homem se degrada, Ele também é degradado, pois há apenas Uma Vida, Um Artista e Uma Obra de Arte.

A conduta, portanto, não pode ser ignorada, nem a ética negligenciada.

A ética é de importância suprema, pois não pode haver beleza perfeita sem conduta perfeita, baseada nos mais nobres ideais éticos.

Essa verdade se aplica a todas as coisas na vida, às maiores e às menores, à obra da vida bem como à rotina diária, aos setenta anos que compõem o todo, e aos dias e horas individuais dos quais esses anos consistem.

A beleza é essencial para a livre expressão da vida; a feiura impede seu cumprimento.

A beleza deve ser manifestada e tornar-se a nota-chave da nova era.

É a chave para a felicidade, e sem ela a vida fracassa, as civilizações desmoronam, as raças morrem e os indivíduos definham.

A beleza é o evangelho do dia vindouro.

Para o artista, esse conhecimento não é novo; para o estadista, o educador, o cientista e o sacerdote, ainda é apenas um ideal distante.

Estes formadores das vidas das nações devem ser levados a ver a profunda necessidade do estabelecimento da beleza no centro e na circunferência de toda comunidade civilizada.

Assim, as nações podem ser conduzidas do materialismo à espiritualidade.

A Beleza as tomará pela mão.

O Real é essencialmente belo, e a busca da beleza será um degrau para a busca da Realidade.

A Beleza é uma manifestação universal da vida do Supremo, que é onipresente, a Unidade por trás da diversidade, a Verdade original e matriz.

ÍNDICE

Adepto, Adeptos       23, 33-42,       Energia divina, três tipos        47, 48, 66, 70, 92-94, 127     de   (Veja também Mestre e               Dualidade      Homens Perfeitos)                Mistérios antigos               45   Ego, o         13,60,61, 65, Anjos                 122-24, 126              67, 73, 80, 89, 105, Arquétipos           19, 121, 125    Egoicidade “ Levanta-te, desperta, etc.”      24, 25    Consciência egóica 9, 10, Arte, espiritualidade na            57                            62, 65, Aspiração                      xi     ,,    intercurso Atletas, espirituais               x   Irmãos Anciões         24, 87, Consciência                      118   Emoções                                      Ambiente Beleza           19, 20, 106,        Ética                     107, 131, 132    Evolução uma jornada Ser, o               120, 121         ,,      e amor Blavatsky, Madame H.P.                    ,,      história de                           viii, Cérebro      5, 6, 8-16, 62, 72, 80    Alimentos Cérebro e corpo       8-10, 11, 15    Chamado da liberdade

Caos e ordem 108,111,113          Meta da vida História cristã, Iniciação          Deus geometriza           114-   simbolizada em               86     Deus é amor ■Conflito      1, 26, 74, 108-13     Escada Dourada, a            viii  Contemplação        16, 17, 20     Grande Fraternidade Branca, Criação, lei da              20       a 40, 42, 45, 48, 50, 58,                                                            81, 90, Atividades diárias            7        Sistema de grupo (alma)    41,   ,,   eventos              56        Guardiões do globo   ,,   vida       59, 73, Perigos               98, 102        Homem Celestial Devoto e Mestre         30        Eu superior                 12, Discipulado           xi, 60        Humildade Doença Desinteresse         119        Impessoalidade Divino descontentamento          28        Individualização                                   PÁGINA                                   PÁGINA  Eu individual                    11                       Amor            30,31,32,46,  Iniciado, o, e eterno                         49, 76, 77, 82, 91, 96,                       agora          ,,         e amor          91     Magnetismo          ,,         e corrente               Homem epítome do todo                       de vida 88,           ,,         e a            ,,    um prisioneiro                 26*                       Supremo 87             ,,    setenário        17, 40,          ,,         e o              ,,    um pensador                       mundo          87      ,, recompensa do         ,,          aura, pensamento          Tarefa do homem                       e sentimento          Homem para super-homem                       de         90, 91      ,, verdades dentro         ,,          visão de        89     ,, guerra em                    108-         ,,          voz, olhos                       e olhar            Manifestação e não¬                       e olhar            manifestação                       de             91    Mestre, o, e pupilo veem         ,,          obra de 62,                               Pupilo                                  89, 90            ,,      é vida Iniciação             xi, 60, 62, 86              ,,      conhecimento do Governo Interno do                                          32, 33, 34,   mundo                              39            ,,      amor de       30, Realização interna            xii, 3, 80              ,,      cientista Intuição              3, 12, 43, 119             ,,       vontade de      ,,     inteligência e               Meditação       xi, 3, 5-7, 10,                                      14         16, 17, 29, 43, 55, 58, 63,               vontade                                                   68, 69, 72, 73, 79-81, Poder-chave do universo e                  Corpo mental                    9,  homem                       30              Mente, domínio da Chaves do conhecimento      33, 34              Mônada          14, 41, 65, 67,                                            Mônada, ego, personalidade                              ix, x         Mistério Lei, a Vida e forma           22,                                            Natureza, setenária  ,, eterna                                            Espíritos da natureza             124,  ,, processos                                            Nirvana  ,, fonte de                                            Plano nirvânico               39, Viva, sirva, seja forte Logos        17-20, 100, 110, 111          Notas, as sete              16- Senhor do amor        46,                                            Ocultismo               vii-x Senhores da Ação     ,,    Beleza                44             ,,      ocidental mo¬     ,,    Mente Concreta         44                      derno     ,,    Idealismo             45         Vida oculta                55-     ,,    Intelecto             43         Onipotência, poder, vontade     ,,    Intuição             43         Onipresença, sabedoria,     ,,   Poder                  43          amor                                  PÁGINA                                 PÁGINA Onisciência, onipresença,                      Pupilo e luz interna     ença, onipotência         39                  ,,  e mundo externo 54, Ator Único                  97                  ,,   e pureza            75,  ,, Sozinho                42, 111                  ,,   e recolhimento  ,, e muitos              18, 94                                            58,  ,, Artista                   131                  ,,   e mundos suprafísicos   ,, Consciência            41                        52,  ,, Individualidade             32                  ,,  e Professor 49, 51-  ,, Inteligência     33, 41, 124                         53, 56, 58, 60, 63-  ,, Conhecimento                 32                            71-73, 75, 78-85,  ,, Vida 43, 44, 69, 88, 97, 131                 ,,   e as artes  ,, Mente                  32, 97                 ,,    e expiação vicária  ,, Plano                      98                         ,,   como canal        55, 64,  ,, Eu                  77, 84                 ,,   como educador  ,, Supremo                   23                 ,,   como ceifeiro  ,, Vontade       30,41,97,98,124                    ,,   sobe gradualmente 63,  ,, Sabedoria                    41                 ,,   conflito de     .  ,, Trabalhador              118, 119                 ,,   consciência de 56,  ,, Obra de Arte              131                 ,,   durante o sono    ,, Caminho da Santidade                    27           ,,   ajudando outros    74,    ,, probatório                  60           ,,   individualidade de    ,, afiado como navalha                   27           ,,   amor de               76,    ,, espiral                       128           ,,   modo de vida de    ,, espiritual                    131           ,,   deve trabalhar duro Caminho para a liberdade               26, 29            ,,   nova alegria e poder de Paz                          129-31            ,,   personalidade e ego Homens Perfeitos               24, 25,                ,,   de                 73, Perfeição, conselho da             viii          ,,   filiação de      ,,        é relativa          70           ,,   corpos sutis de 61, Glândula pineal e pituitária                      ,,   rápido desdobramento de                            11, 12, 14                 pensamentos de Positividade            8               treinamento de           68, Princípios, eternos            30,                    provações de                                31, 37                 visão de             68,         ,,     fundamentais     vii,                    força de vontade de                      xi, 33, 34,         ,,     ocultos     viii     Realização, interna xii, 3,         ,,     do homem         15, 110       Religiões e verdade         ,,     universais       96,          Reversão               96,                             101, 103        Ritmo                   'l Pupilo, aceito           53, 65,           Regras de vida                       68, 71, 83,   ,,      e negócios              57      Ciência de viver                  viii   ,,      e vida diária 56, 59, 73          Autocorreção   ,,      e vida interna            52      Autoespiritualização                                          PÁGINA                                 PÁGINA.

Serviço, a nota-chave                  50
Supremo, o, sabedoria do                ,,
Homem setenário                   17, 40
Simetria                    ,,
Natureza                    ,,
Hierarquia Oculta                   40
Temperamento ou raio                  ,,
Tentação                    ,,
Livro-texto sobre ocultismo vii, xi
Isso                    ,,
Notas setenárias                 16-20
Pensamento, abstrato e
concreto            11,
Tríades                14,
Silêncio, valor do                  130
Sinceridade                             8
Sono                                 7
Sistema solar, evolução do                ,,
Adolescência espiritual               28
Atletas espirituais                   x
Exercícios espirituais                3
Infância espiritual                49
Noite espiritual            129'
Perfeição espiritual               49
Símbolos espirituais 114-17, 119
Estimulantes                            7
Sol e planetas, símile de                ,,
Supremo, o, atividade do                   ,,
Morada do                   ,,
Aspectos do 14,                               ,,
Atributos do         28
Beleza do 19, 20,132
Energia do           120
Grande plano do         97
Imanência do          89
Conhecimento do         35
Vida única do          43
Poder do        35,123
Manifestação setenária do 16,45
Natureza tríplice do               ,,
Unidade com           96
Visão do             97
Sete Altas Inteligências 23
Silêncio, valor do                  130
Sinceridade                             8
Sono                                 7
Sistema solar, evolução do                ,,
Adolescência espiritual               28
Atletas espirituais                   x
Exercícios espirituais                3
Infância espiritual                49
Noite espiritual            129'
Perfeição espiritual               49
Símbolos espirituais 114-17, 119
Estimulantes                            7
Sol e planetas, símile de                ,,
Supremo, o, atividade do                   ,,
Morada do                   ,,
Aspectos do 14,                               ,,
Atributos do         28
Beleza do 19, 20,132
Energia do           120
Grande plano do         97
Imanência do          89
Conhecimento do         35
Vida única do          43
Poder do        35,123
Manifestação setenária do 16,45
Natureza tríplice do               ,,
Unidade com           96
Visão do             97
Sete Altas Inteligências 23
Verdades básicas        ix, 11&
Verdades dentro do homem                ,,
Verdade, unidade, beleza                            99, 100, 105,
Fraternidade universal                ,,
Amor universal          49,
Mente universal 33, 124,
                                125, 130'
Universo quíntuplo            39'
Universo setenário       16, 20s
Unidade, um princípio 30, 31,
                                95, 101,
Vênus, Senhores de               ,,
Visão do todo       99-
Guerra no céu              109'
O Caminho é encontrado *      L.
É difícil               ix
Caminho de escape         26,
O Caminho, o              23,   2 "7
Para a vida eterna       25*   °
Para o Mestre               ,,
Vontade, desenvolvimento da               ,,
Vontade suprema             29,
Força da palavra               ,,
Yoga                       vii, ix,
Yogi                           ix

Subbarayudu, na Vasanta Press, Adyar, Madras.